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Cap 118 - A procura

O portão da escola está fechado, mas Nina sabe como abri-lo. Os gêmeos, Bruno e Danilo, ensinaram a ela como fazer isso no portão do sítio, pois vivem fugindo para brincar com o vizinho. Ela faz do jeito que eles ensinaram: Subir na grade, puxar o trinco e empurrar com força. Tenta duas, três, quatro vezes, mas escorrega em todas elas. Seu tênis está encharcado e seus olhos mal enxergam na chuva. É apenas na quinta tentativa que sente o trinco se mover e o portão abrir. A menina escorrega uma última vez e cai no chão em um baque surdo. Se ergue esfregando o traseiro dolorido e se põe a correr. Enquanto corre, sente o coração bater na garganta. Está fazendo algo muito, muito feio. Nunca foi tão desobediente antes e isso deixaria a professora muito brava. Seus pais também ficariam chateados, e seus avós e todo mundo. “Aqui não pode passar” Um homem barbudo grita e acena para os carros. “A ponte está alagada, é muito perigoso.” Ela já havia passado por ali muitas vezes para che...

Cap 117 - Inconsciência

 A professora vai conversar com alguém na porta e Vinícius, muito curioso, se levanta para ouvir o que dizem. Nina vê quando o menino se assusta e faz sinal para que ela se aproxime. A menina se levanta sorrateira e vai até ele. “Escuta isso!” Vinícius diz e ao mesmo tempo a empurra para mais perto. “Eu sei, eu sei. Mas eu não posso contar.” A professora cochicha “O que a Nina vai entender? Ela só tem cinco anos! O acidente foi sério? A mãe dela? Ah, Deus! É melhor que ela fique aqui até alguém da família vir buscar.” “Tão falando de você!” Outros alunos se aproximam e também tentam ouvir. Confusa, Nina sente a barriga começar a doer. A professora continua a falar de forma ansiosa, mas está barulhento demais para entender alguma coisa. A última fala é a única compreensível. “Eu vou ligar para os avós dela e ver se podem vir buscá-la depois que a chuva diminuir. Você pode ficar um pouco com as crianças pra mim, Julieta? Vou à diretoria fazer a ligação.” No mesmo ...

Cap 116 - O impacto

O impacto foi violento, segundo as testemunhas, mas ninguém sabia de fato o que havia acontecido com o casal tão jovem, mas ficaram aliviados ao ver que a cadeirinha no banco de trás estava vazia, exceto por um velho ursinho com o braço decepado e uns olhos negros e brilhantes. "O carro em que estavam se chocou com outro veículo." Leonardo anda de um lado e outro no escritório, enquanto a velha empregada de cabelos grisalhos passa e ouve uma conversa estranha. Alguém havia sofrido um acidente e imaginou logo ser a patroa, dona Sílvia, e logo se desesperou. "Eu vou pra lá agora, mas te ligo a qualquer momento. Preciso avisar a muita gente, os repórteres estão chegando também. O Diego está fora de perigo, mas a Roberta, não sei, não sei mesmo..." A emprega sentiu uma pontada no peito. O filho mais velho, o menino que ela morria de saudade quando estava no internato, que lhe trazia bombons em seu aniversário. Ele tinha uma mulher tão linda e uma filhinha pre...

Cap 115 - O tempo passou

Um pouco mais de 2 anos se passam e as notícias de cada um deles ficam mais raras. Alice começa a viajar cada vez mais com Pedro e se tornou o braço direito dele no trabalho. É extremamente organizada e o deixa muito entusiasmado com tudo que estão construindo juntos. Eles ainda vêm ver Nina a cada três meses e aproveitam para saber como Roberta e Diego estão se virando com a filha que vai crescendo e ficando a cada dia mais sapeca, além do trabalho e do estudo que prossegue deixando-os exaustos. Carla e Tomás de vez em quando ligam e sempre estão postando fotos no facebook. Ele ainda está em Santa Catarina, parece que conseguiu se dar bem lá e, até onde se sabe, estava com uma namorada atrás da outra. Carla, por sua vez, sempre posta muitas fotos de viagens ao exterior, sempre em restaurantes diferentes. Parece estar se divertindo como merecido e trabalhando seu transtorno alimentar por meio do aprendizado sobre gastronomia. O homem que aparece ao seu lado pode ser qualquer coisa d...

Obrigada!

Cap 114 - O último adeus

O tempo é a pior certeza. Não há tempo. Tudo ocorre no agora, enquanto todas as coisas estão sendo sentidas. Além do que há no exato momento, nada é real. O mundo pode ser apenas um sonho do qual não despertamos ainda. *** As pessoas estão comentando o show, contando as novidades de suas vidas agitadas e agora repleta de outras emoções. Alguns com empregos fixos, outros ainda estudando. Alguns em relacionamentos sérios e outros perambulando de coração em coração. Todos, no entanto, têm saudade da época em que eram jovens, se sentavam juntos no refeitório do colégio e riam ao lado dos amigos. Diego encontra o pai sozinho com as mãos na cintura, admirando a vista da enorme mansão à sua frente. Os filhos estão sentados na grama ao lado de Nina, brincando com Tomás, Alice e Pedro. Pai e filho ficam lado a lado, conversam enquanto admiram a grande construção. “É uma bela casa.” “Realmente.” Diego concorda. “A Eva tem amigos nesse nível.” “Quando olha para essa casa enorme e...

Cap 113 - O último show

Havia uma mulher, seu nome era Carmem. Estava arrumando algumas roupas em um cabide quando Roberta entrou e a encarou por alguns segundos antes de correr ao seu encontro. Aquela senhora muito calma e sorridente a lembrava da infância. Ela vestia sua mãe para os shows e enquanto ela cantava, ficava com Roberta em seu colo, contando histórias e mostrando peças de figurino, ensaiando pequenos shows no camarim. “Meu Deus, você está uma mulher.” Ela segura forte os ombros de Roberta e volta a abraça-la apertado. “Sabia que algum dia eu vestiria você para um grande show.” “Não acredito que é a senhora! Achei que não trabalhasse mais com a minha mãe.” “Ninguém nunca deixa Eva Messi, meu amor.”