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Cap 21 (Faculdade) - Taquicardias, vacilos e perigos avançando

 Um engolir de saliva para que a garganta estática denunciasse que ainda estava viva e acordada. É a única coisa que ela consegue fazer conscientemente porque mais nada lhe parece possível.
"E se eu aceitar? -Roberta pensa. "-E se eu me aproximar e deixar acontecer? Ai, que vontade de te beijar Diego!"
-Quem está aí? -Batem na porta do banheiro.
-Tá ocupado, vai no próximo. -Diego espera o silêncio surgir. -Ele já foi...
-Nós também devíamos ir...
-Tem certeza que é isso que quer? -O rapaz tem um jeito de induzi-la sem que perceba e já está atraindo os lábios dela aos seus.
-Talvez...
 Roberta já sente uma dificuldade de manter os olhos longe da boca dele que sempre quando Diego diz algumas dessas frases irritantemente sedutoras, sopra seu hálito maldoso na mente dela. Já se sente indefesa e não consegue manter os olhos abertos indo rumo aos dele.
-Roberta...
-Fala.
-Viu como é fácil te ganhar? -Ele sorri e ela abre os olhos.
 O encanto do momento se transforma em um vidro estraçalhado no chão e em cacos miúdos.
 Diego a olha com sarcasmo e abre a porta do banheiro deixando-a na parede ainda perplexa. Se as pernas ainda não estivessem tremendo seria possível que ela já houvesse explodido metade daquele parque somente com a raiva que havia ficado.

-Você fez o que? -Pedro o encara. -Diego, a aposta não era pra ver quem ganhava? Você ia ganhar ô inteligência!
-Eu sei!
-Então?
 Diego olha duas crianças pularem do seu lado dentro da piscina enquanto se escora na beira somente com os ombros fora da água, assim como o amigo ao seu lado, ambos fixos no nada.
-No banheiro Pedro? Não queria ganhar a aposta no banheiro... E também não quero ganhar com um beijo.
-Não?
-...Bem... Eu tava pensando em ganhar com um pouco mais que um beijo... Além do que, ela ficou passada. -Diego esboça um sorriso de satisfação por ter abalado as estruturas dela.
-Você é doido de provocar a Roberta assim. -O amigo balança a cabeça com um meio sorriso. -Ela vai contra-atacar e quando fizer isso você vai subir pelas paredes...
-Eu já estou! Você não faz ideia do que é ter uma garota linda dentro do seu apartamento, uma hora de pijaminha, outra hora de lingerie, ou de toalha e não poder encostar nela, mesmo sendo a sua namorada e pela qual você é completamente apaixonado!
-E aí galera! -Tomás interrompe. -Do que falam?
-Sobre abstinência meu amigo...
-Xi... Diego é doido.
-Também acho... -Pedro e Tomás dialogam.
-Ah, mas eu vou fazer valer os três desejos.
-Tá confiante de que vai ganhar, é?
-Algo me diz que vou... –Ele sorri pensando longe e em poucos minutos os três já estavam nadando e mudando de assunto.
 Enquanto isso Roberta encontra Alice tomando água de coco sentada a uma mesa sob a sombra de palmeiras. Chega calada e se senta ao lado dela em uma cadeira de plástico instável.
-Que você tem?
-Hm?
-Alô!! Que aconteceu?
-O Diego.
-Que ele fez?
-Quase me fez beijar ele.
-Hm? –Alice estranha, pois ainda não sabe da aposta. Coisa que Roberta logo lhe conta.
 Elas conversam e a amiga ri da situação agravando ainda mais a raiva da outra.
-Dá pra parar ou quer ajuda? Te faço calar em dois tempos!
-Desculpa, mas só de imaginar que ele desfez essa sua pose e te deixou chupando dedo.
-Vai te catar Alice! –Roberta continua com a cara amarrada até que nota a falta de Carla.
-Ela foi encontrar uma amiga.
-Amiga?
-É, ela só comeu e disse que ia ver a Mia.
-Mia?
-Ela me disse que tinha duas amigas novas que estavam ajudando ela.
-Ajudando em que?
-Não perguntei, Roberta.
-Você também só tem cabeça pra pendurar arquinho, né?
-Ei! Não vem descontar sua raivinha em mim não! –Alice se irrita, mas logo volta ao olhar fútil. –Preciso de tranquilidade para não surgirem rugas...
-Ai, eu mereço... –Roberta leva a mão a cabeça.
-Oi meninas!
-Carla?
 As amigas se espantam se perguntando de onde é que ela havia surgido.
 A dançarina se senta com elas naquele dia bonito e começam a conversar.
-Quem é essa Mia?
-É... –Carla engasga. –Uma amiga virtual, Alice.
-Hm... –Roberta faz um ar desconfiado. –E a outra como se chama?
-Bom... Vocês não as conhecem como eu.
-Com certeza. Se são as que eu to pensando não são suas amigas.
-Você não sabe de nada, Roberta!
-Por acaso a outra amiga se chama Ana?
-Do que vocês estão falando? –Alice fica perdida, mas as meninas nem a veem.
-Não se mete Roberta!
-Me meto! Porque eu sim sou sua amiga! Não elas!
 Os ânimos começam a se exaltar até que Caio chega e faz a discussão ter um fim.
-Você não sabe o que ela tava...
-Tá, mas não vai adiantar nada! –Caio tenta acalmar Roberta.
-Não mesmo. Por que sou eu que decido minha vida! Fui!
-Carla! Carla! Ela foi embora! –Alice esperneia. –Quem afinal são essas meninas que você tanto odeia?
-Meninas? –Roberta não acredita na pergunta. –Deixa de ser idiota!
-Oh, não fala comigo assim!
-Quer saber, eu vou embora também!
 Roberta é outra a sair, deixando Caio com a tarefa de consolar Alice, que além de não ter entendido a briga das amigas também não entende o porquê de tanta implicância com essas novas amizades de Carla.
 O dia estava difícil apesar de o parque oferecer muitas possibilidades de diversão. Havia um tobogã muito alto que todos estavam querendo ir desde que chegaram. Ele era um enorme cano em espiral que os atirava dentro da enorme piscina azul.
-Vamos juntos? –Caio olha para Alice na hora de descer e ela acena com a cabeça que sim, fazendo Pedro sentir náuseas.
-E você? –Diego cochicha no ouvido de Roberta. –Não quer que ir comigo?
-Não. Prefiro ir sozinha.
 Ela está emburrada e fica assim durante todo o dia. Se bem que com toda aquela água não está sendo muito fácil resistir a ele.
“Nada tão bem.” –Ela o observa em seus mergulhos com os pensamentos. “-Quanto mais nada mais forte fica. Academia aquática. Até que trabalhar de salva-vidas não tá sendo ruim pra ele, tá a cada dia mais lindo”...
-Eca! –Alice joga água em Roberta que estava estática na piscina.
-Que foi?
-Tá babando na água!
 Roberta até tenta se fazer de irritada, mas a verdade é que já está meio perdida com tantas coisas ao mesmo tempo. Fica a tarde a olhá-lo, mas disfarça todo o tempo mostrando a ele somente uma face irritada e hostil que o fizesse ficar longe.
 Quando o dia acaba, no entanto e eles retornam ao prédio já de tarde, não tem como evitá-lo. As meninas ficam no 17º andar, os meninos sabe Deus onde e os dois seguem calados no elevador até o 20º.
-Não vai falar comigo? –Diego não imaginava que fosse sério isso.
-Não quero brigar.
-Nem eu.
-Então fica calado e abre logo essa porta.
 Eles chegam ao apartamento e quando Diego coloca a chave, sente o coração saltar a garganta.
-Que foi?
-Você deixou a porta aberta?
-Lógico que não e foi você quem saiu por último!
-Vem. –Diego estende a mão a ela e ambos entram vagarosos.
 Passo a passo eles passam pela sala que parece intacta.
-Vamos chamar alguém.
-Xiu. –Diego pede silêncio e pegando a barra de ferro que haviam jogado da outra vez, segue em frente, usando o objeto como precaução. –Fica aí...
-Ah!!
 De repente como em um disparo a porta bate e Roberta grita com o que vê, agarrando o braço de Diego.
-Eu vi! Ele estava atrás da porta! Saiu correndo!
-Eu vou atrás!
 Diego tenta abrir a porta, mas não consegue.
-Ele trancou a gente!
-Você não tirou a chave?
-Eu esqueci.
 Roberta respira com dificuldade, nunca havia se assustado desse jeito. A cena era aterrorizante como a de um filme de suspense. Alguém vestindo uma roupa negra dos pés a cabeça estava escondido atrás da porta e aproveitou o momento em que passaram para fugir.
 A menina se senta no sofá com a mão no peito a olhar para Diego que esmurra a porta com toda a força a gritar.
-Vamos chamar a polícia. –Diego pega o celular, mas ao notar como Roberta está fica estático. –Você tá bem?
-Tô.
-Tá com a mão no peito.
-Fiquei com falta de ar por causa do susto.
-Calma, já passou. –Diego se senta ao lado dela e segura sua mão.
 Roberta olha a mão sobre a dela e fixa os olhos nele.
-Quem era aquele homem? O que ele queria?
-Eu não sei.
 Eles ficam se olhando até que Diego a acolhe em um abraço. E com a cabeça em seu peito apertada pelos braços dele, a garota vai sentindo o ar passar novamente normal pelos pulmões, devolvendo a capacidade de respirar que ultimamente estava sendo algo bem complicado de ser feito e pelos mais variados motivos. 
 Taquicardias, vacilos e perigos avançando a cada minuto nos últimos dias com tendência a piorar. A história está rumando aos mais imprevisíveis destinos.
 Não mais que alguns minutos de serenidade em que os dedos dele passeiam nos cachos dourados dela se passam e já tem que os soltar para pedir ajuda.
 Celular em mãos, ele chama todos os amigos e também a polícia. Algo muito estranho está acontecendo e eles desta vez sentem que não devem lutar sozinhos.

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Comentários

  1. Aline!! como vc consegue fazer a web cada vez melhor desse jeito?!!! Tá demais esse mistério todo!! Espero que Roberta e Diego se acertem logo!! bjksss

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  2. Aline !!! Parabéns vc faz cada capitulo melhor que o anterior !!!
    Amei
    Posta ++++++++++++++++++++++++++++++++++

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  3. muita curiosidade pra saber como acaba o jogo de Roberta e Diego e também curiosidade em saber o que se passa no prédio... super curiosa

    posta mais Aline por favor bjs

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  4. Cada dia melhor, Line! Parabéns! tô aqui nos cotoco dos dedo pra saber como termina essa tal aposta... Hahaha! Eu acho que esses ataques são mandados pelo Leonardo. Ele deve estar com raivinha do Di por ele estar sendo independente dele. Mas vamos ver o que a Aline nos guarda! Hahaha Bjs!

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  5. Concerteza essa mia e ana só vão querer roubar o namorado da carla e da roberta rum já to até vendo

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  6. Aline como sempre abalando....os nossos nervos, coração, e tudo o mais...
    Parabéns!!! web perfeita, muito mistério, e romance, tudo na medida certa!

    Darly

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  7. Muuuiiito Booom!!
    Amo seu blog!!!
    Ele é o melhor blog do muuunndoo!!!

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  8. Ai meu deus!que capitulo demais
    Você é uma ótima escritora Aline!
    (bjs Julia)

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  9. Eu acho quem esta por atras dessa sodadinhos e o Pabro

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  10. ameeeei de paixao aline eu amooooo essa web vc é a melhor do mundoooooo! <3

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