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Cap 88 - Fugindo de um fantasma

Se cair de uma grande altura pode ser fatal, também pode ser fatal tomar uma grande decisão. Há de se imaginar qual serão as consequências de um ato, há de se imaginar em que está se metendo. Se você olhasse para onde é que iria pular de cabeça antes de pular e visse água, poderia mesmo se sentir um tolo, mas e se visse pedras?

***

Casar? Era isso mesmo? Alice tenta digerir a frase, mas não consegue. Leva a mão à boca e imagina se o coração não vai aparecer por ali para que tenha de segurá-lo.
-Não vai me dizer nada? –Pedro pergunta.
-Isso é... É um pedido de casamento?
-Bem... É e não é.
-Como assim? –Ela se confunde.
-É um pré-pedido. Quero pedir a sua mão ao seu pai com direito a belas alianças e um jantar com nossas famílias e nossos amigos. Se aceitar, é claro.
Alice se sente no céu.
-É claro que eu aceito! –E pula em seu pescoço. –Eu amo você, Pedro! Quero ser sua mulher!
-Ah, minha linda! –Ele a ergue do chão e gira no ar. Tinha medo que dissesse “não”. Afinal, com mulheres (principalmente Alice’s), nunca se sabe.
-E quando vai ser o noivado? Temos que dar uma grande festa e avisar na mídia!
-Espera, espera... –Pedro hesita.
-O que foi?
-Eu não quero me precipitar. Sei que viver uma vida sem luxo comigo não é pra você e...
-Isso não me importa!
-Não importa? –Ele duvida.
-Bom... –Alice se solta dele, um pouco sem graça. –De quanto luxo estamos falando?
-Tá vendo só! É por isso que vou fazer as coisas devagar. Quero ser o tipo de homem que pode te fazer feliz completamente. Vou estudar, vou trabalhar e quando for alguém digno da família Albuquerque, a gente se casa.
-Pedro...
-Eu vou ser alguém a sua altura, Alice!
-Você já é. –Ela segura o rosto dele. –Eu te amo, e deixe desse discurso orgulhoso, que eu também não estou estudando e trabalhando para que você tenha que me sustentar.
-Não foi isso que eu quis dizer.
-Mas foi o que pareceu...
-Me desculpa. –Ele abaixa a cabeça. –Eu só quero que tudo seja perfeito.
Alice lhe dá um beijo.
-Já é perfeito... A gente vai se casar! SE CASAR! –Ela enlouquece. –Sabe desde quando eu sonho com isso? –E o abraça apertado, com um sorriso enorme.  –Você está me fazendo muito, mas muito feliz!
-E espero te fazer a vida toda... –Ele corresponde ao abraço em frente ao azul da janela e ambos ficam em silêncio por alguns segundos.
Nesse tempo, Alice fica imaginando o vestido que vai usar, as joias, como serão as alianças, as flores e o banquete... Mas Pedro permanece apenas visualizando aquela casa como o lugar onde formará uma família com ela e onde finalmente se sentirá um homem completamente realizado. Foi estranho a primeira vez que sentiu inveja de Diego. O amigo estava falando do iogurte que a filha havia despejado em seu cabelo e de como tinha sido difícil convencer Roberta de que não estava roncando e que mesmo que estivesse, ela não precisava quase jogá-lo da cama a baixo por isso. Era engraçado, mas em vez de zoar, Pedro ficou desejando ter algo parecido com isso. Estava se sentindo diferente nos últimos tempos, principalmente depois de estar trabalhando tanto e estudando mais do que nunca. A dureza da vida o estava amadurecendo e formando seus ideais. Iria subir com calos nas mãos e no cérebro, e isso lhe deixava orgulhoso. As bobagens e os pensamentos pré-adolescentes estavam dando lugar a uma vontade súbita de uma vida mais segura, de conquistas mais simples. Se sentia mais homem, mais certo do que queria, além de mais sonhador do que nunca.

***

Roberta dirige de volta para casa sentindo algo estranho, mas ao olhar pelo retrovisor vê que Nina ainda dorme e sorri com sua tranquilidade. “É só ligar o motor que ela apaga” pensa consigo. Mas, mesmo assim, ainda há algo em seu pensamento que não sossega.
Ao virar em uma rua que irá levar até sua casa, vê um carro preto atrás do seu. De imediato não acredita que possa ser um fato importante, mas depois de dirigir bastante, percebe que ele ainda está em sua cola. Já havia dado passagem para que ultrapassasse, mas ele continuava insistindo em ficar atrás. Ao se aproximar de casa, decide então estacionar em frente em vez de entrar.
-O que você quer afinal? –Ela olha para o lado e o esperado acontece. O carro preto passa e para alguns metros à sua frente.
Roberta engole seco. Agora tem certeza de que só pode ser o carro sobre o qual o vizinho alertou Diego.
-O que eu faço? O que eu faço? –Ela soca o volante. Quem quer que estivesse naquele carro, não estava sendo nem um pouco discreto. Pelo visto não tinha medo de nada. De repente, Roberta decide arriscar. -Vamos ver até onde você vai, então.
Ao ligar novamente o motor, ela acelera um pouco mais e volta a pegar o trânsito. Percebe logo adiante que o carro preto voltou a segui-la. Não pode deixar que fique parado em frente à sua casa toda a noite enquanto está sozinha com Nina. Deve fazer algo. Pega o telefone e se irrita ao lembrar que está sem bateria.
-Mas que droga! –Diz jogando-o longe.
Alguns minutos depois, muito aflita de estar sendo seguida por tanto tempo, ela pega o rumo do pequeno prédio onde morou e onde Alice ainda mora, tratando de encontrar um lugar para estacionar. É o único lugar em que pensou como refúgio. Mas o descontrole é tamanho, que no momento em que vai virar o carro, Roberta acelera demais e perde o controle, subindo um pouco o meio fio. Fica a poucos centímetros de distância de um homem descuidado que iria tentar atravessar fora da faixa.
-Ô maluca, vê se aprende a dirigir! –O cara bate a mão no capô e sai xingando.
Roberta fecha a cara, abaixa o vidro e lhe mostra o dedo do meio. Em outro momento, começaria um bate-boca também, mas agora, sua única preocupação era saber se a filha estava bem. Ela se vira rapidamente para olhar a bebê que acordou assustada. –Calma meu amor, eu já vou!
Roberta retira o cinto, sai do carro e vai até o banco de trás ver se está tudo bem com Nina. Verifica logo que não há nada de errado com a filha e que foi apenas o susto mesmo que a fez reagir daquela maneira, o que não faz com que se sinta menos negligente e irresponsável. O nó na garganta em pensar que poderia ter machucado a menina só aumenta e seus olhos começam a se encharcar.
-Pronto, pronto, tá tudo bem. A boboca da sua mamãe não vai mais fazer isso. –E dá um beijo na cabeça da menina que ainda soluça. –Desculpa... Desculpa...
De repente alguém bate na porta do carro e é quando Roberta leva um enorme susto. O carro preto está parado com a porta aberta um pouco atrás e o motorista saiu para vir falar com ela. Só não imaginava que veria nele um rosto tão familiar.
-Tá tudo bem com meu neném? Ele tá vivo? –Os olhos enlouquecidos de Caíque a deixam paralisada e em completo desespero. –Cadê ele? Meu neném, cadê?
Roberta não consegue raciocinar naquele instante enquanto ele continua batendo no vidro da janela ao seu lado como um fantasma que ela acreditava que nunca mais iria ver. Não era ninguém a mando de seu pai afinal, mas um louco que já a havia atormentado antes. E todas as lembranças do que ele fez passaram como um filme em sua mente... A troca dos contraceptivos que ela tomava por remédios controlados... A gravidez como consequência... Nina nascendo frágil e por pouco não morrendo... A dor, o medo e a alegria de ver tudo terminar bem... Ainda consegue se lembrar das enfermeiras que cuidaram de sua filha dizendo que ela era um milagre inexplicável, dos muitos que acontecem todos os dias e que ninguém fica sabendo. E se tivesse dado tudo errado? Caíque tinha mudado sua vida enquanto tentava destruí-la. Estaria tentando terminar o serviço?
Estava vigiando sua casa e sua família todo esse tempo e quem sabe há quantos meses. Roberta está paralisada, passada demais para reagir instantaneamente. Mas quando seu cérebro dá um “clique”, ela sente o sangue se agitar nas veias e abre a porta do outro lado, fazendo Caíque correr em volta do carro atrás dela.
-Meu neném! Deixa eu ver! Deixa!

Roberta respira com dificuldade ouvindo as palavras dele, que lhe soam assustadoras. Quando consegue abrir a porta do carro, bate com força e tranca as portas. Mal olha para trás e já vira o volante, fugindo sem pensar duas vezes, sem ao menos conseguir pronunciar uma palavra. Entre os gritos de Caíque e o choro de Nina, ela só consegue visualizar a frase “Fuja!”.

Comentários

  1. Wow caraca não imaginava que podia ser ele,aiii to com medo do que possa vir a acontecer :/ mas sei que vc vai arrasar Aline,como sempre hahhaha

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  2. O CAÍQUE PENSA Q A NINA É FILHA DELE OU É IMPRESSÃO MINHA????
    perfeito como sempre, Aline!!!

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  3. Ain, que suspense! me deu até medo! Quero maaaisss!

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  4. Nossa ! Eu n podia sonhar q era o Caíque . Será q ele tem alguma coisa a ver com a Patricia ? Perfeito Aline .
    By : Alice

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  5. Nossa ! Eu n podia sonhar q era o Caíque . Será q ele tem alguma coisa a ver com a Patricia ? Perfeito Aline .
    By : Alice

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  6. Caramba Line... o tempo todo era esse doido?? Web d+++ continua!!

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  7. Cm açim ele axa q a filha eh dele???
    Cmo? Ele fez alguma coisa cm a roberta??

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  8. ai meu deus vou ter um ataque cardiaco sqn# prefiro terminar e ler kkkk

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  9. aaaaaaaaaaaaai Jesus agr fiquei apreensiva, NUNCA imaginava q poderia ser o Caíque...quero saber logo o q vai acontecer, Aline tu é ótima parabéns quero +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
    Talita
    @Smi_Lita

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  10. Nossa muito boa a sua historia descobri sem querer a tres dias e nao comsegui mais parar de ler, parabens.
    Qual o dia q vc posta o prox cap?

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  11. jurava que era o Leonel ou o Leonardo mas nunca o caíque

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