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Cap 86 - Uma notícia inesperada

O cabelo jogado, as roupas espalhadas, o rosto amassado no travesseiro. Os pés e as mãos sentem o lugar, seguram com energia os lençóis e soltam com leveza. O sono é tranquilo, a respiração muito mansa, assim como a quietude do céu. Conforme a escuridão se vai, as cores alaranjadas se dissolvem a partir dos raios do sol e se expandem. Espetáculo diário, com quase nenhum espectador. Mas quem disse que a natureza se importa?


***

Quando o dia amanhece, Roberta não encontra Diego ao seu lado. Aperta os olhos para acordar de verdade e se levanta, arrastando os pés até o banheiro. Imagina que Diego está com Nina ou ainda que está fazendo o café, como é de costume, já que ela sempre demora mais para se levantar.
Desce as escadas com a mesma camiseta comprida, chinelos e olhos inchados. Tinha passado pelo corredor e viu que o quarto da bebê estava vazio.
-Diego? –Olha para um lado e outro e não encontra ninguém. –Tá na cozinha?
Ao olhar todo andar de baixo, vai para o quintal. Quando olha para o portão de entrada, vê a silhueta de Diego. Mas com quem ele está conversando?
Antes que possa se aproximar, ele fecha o portão e vem ao seu encontro com Nina no colo. Está com um jeito tenso.
-Bom dia... –Diego lhe dá um beijo.
-Bom dia. Estava procurando vocês. –Ela pega a filha no colo sorrindo e lhe dando vários beijos na bochecha. –E você, minha gatinha?
Diego está pensativo.
-Quem era no portão? –Ela pergunta finalmente.
-O senhor da casa ao lado. Disse pra gente tomar cuidado por que tem...
Diego empaca e Roberta o interroga com os olhos.
-Que tem...?
-Ele disse que tem um carro que fica parado há várias madrugadas em frente à nossa casa. –E solta de vez, muito espantado para preparar as palavras. –Eu acho que é o seu pai!
Roberta se assusta, mas estranhamente se contém.
-Eu já tinha reparado nesse carro uma vez. Deve ter mandado alguém nos espionar.
-E por que não me disse?
-Porque na hora achei que pudesse ser coisa da minha cabeça!
-Ok... –Ela passa a mão no cabelo, tentando se conter. –Acho que vai até ser melhor quando a Nina começar a ficar na casa do meu pai, vou ficar mais tranquilo.
-Com a “Patrícia” trabalhando lá, eu não tenho tanta certeza.
-Eu te garanti que pela manhã ela não estará lá. Meu pai contratou outra babá que vai cuidar da Nina pela manhã enquanto os meninos estão na escolinha. A Patrícia trabalha apenas à tarde. Elas não vão nem se ver.
Roberta não está muito segura, mas ao pensar que Sílvia estará com a menina, consegue pelo menos aceitar o fato.
-Ok, tudo bem.
Assim, eles entram. Nina fica fazendo bagunça na sala com alguns brinquedos que ganhou de aniversário enquanto Roberta e Diego preparam o café. Eles conversam sobre tudo, desde os últimos filmes e séries lançados até a conta que vai vencer semana que vem. São bons falando e se organizando juntos, principalmente porque o que um esquece, o outro lembra, o que um quebra, o outro conserta... Enfim, é como se jogassem pingue-pongue!
-As aulas na faculdade recomeçarão logo, assim como os shows. –Diego comenta passando margarina no pão.
-Não vai ser fácil voltar à rotina, mas tem outra opção?
-Estou aberto a sugestões.
-Abra uma barraquinha de limonada.
-Nada mal. –Ele sorri e dá de ombros. –Depois do café, quem sabe... Agora eu quero falar sobre ontem.
Roberta dá um sorriso malicioso enquanto abre geladeira.
-Ontem?
-É. –Ele devolve o mesmo sorriso.
-E o que quer falar?
Ela se abaixa para pegar uma maçã na prateleira de baixo e Diego vai silenciosamente até ela. Quando Roberta se levanta, ele a abraça por trás.
-Ei! –Ela ri.
-Eu quero repetir. –Sussurra. –A noite de ontem.
-A gente sempre repete... –Diz olhando para ele com jeito travesso.
-Ainda sinto uma sede imensa de você... Foi diferente ontem. Parecia que nunca mais iria acontecer.
Roberta deita a cabeça em seu ombro e acaricida o rosto dele. Também sentiu algo diferente, mas não acredita tanto.
-Acho que ficamos mais bobos quando nos reconciliamos. –Ela abre um sorriso.
-E me dá qual veredito, então?
Ela se vira e lhe dá um beijo.
-À noite eu prometo que te dou muito mais que vereditos...

***

É como se nada mais soubesse explicar a não ser o toque. A cada segundo surge a necessidade de se sentirem juntos, perto o suficiente para ver que o outro é de verdade, que não é apenas um sonho bom.

***

Precisando sempre estar de olho na filha, eles voltam para a sala e ficam conversando enquanto brincam com ela no tapete. O velho urso semi-decepado sendo socado em todos os cantos.
-Isso não é justo, sabia... –Roberta reclama. –O nosso tempo com a Nina vai ser cada vez menor.
-Eu sei. –Diego sente a realidade. –Por isso a gente tem que fazer esse tempo ser especial.
O telefone toca e os interrompe. Diego se levanta do tapete e atende.
-Oi Sílvia, tudo bem?... –Ele ouve algo que muda suas feições. –Mas como isso aconteceu?... Tudo bem... E não tem mais ninguém com ele?
A ligação dura apenas alguns minutos, mas é suficiente para deixar Roberta muito intrigada.
-O que foi? –Pergunta assim que ele desliga.
-Meu pai. –Ele diz assustado.
-O que houve com ele?
-Fez uma viagem a negócios ontem à noite para Santa Catarina e parece que passou mal no hotel.
-Nossa, mas ele está bem?
-Parece que não foi nada grave, mas a Sílvia quer que eu vá até lá e o traga de volta pra casa. Ele é muito teimoso e não quer ouvir os médicos. Nem mesmo ela conseguiu convencê-lo a voltar.
-E você vai?
-Ele é meu pai. –Diz com cautela. –Mas não quero deixar vocês sozinhas. É perigoso.
-Não tem que se preocupar. Posso chamar a Alice ou a Carla para me fazer companhia.
Diego segura as mãos dela.
-Eu me sentiria melhor se você fosse com a Nina para a casa da Eva. Lá é mais seguro.
-Claro. Tudo bem.

E o que deveria ser uma manhã tranquila, acabou se tornando turbulenta. Diego tentou ligar para o pai várias vezes, mas este não atendeu suas ligações. Sendo assim, rapidamente tratou de arrumar uma mala pequena e agendar um voo. Em algumas horas o táxi chegou para leva-lo ao aeroporto. Ele deu um beijo na filha e outro em Roberta.
-Eu volto logo. –Disse com pesar. –Devo estar de volta amanhã à tarde.
Roberta balançou a cabeça positivamente e tentou parecer compreensiva. Sentiu as mãos dele em seu rosto uma última vez, lhe deu mais um beijo e então esperou que entrasse no táxi. Constatou que o olhar dele era sempre brilhante, mesmo em situações tristes e isso lhe deu uma saudade repentina enquanto o automóvel sumia de vista. Não fazia sentido já que ele havia acabado de sair, mas o peito ficou apertado mesmo assim.

***

Assim que ele partiu, Roberta foi à casa de Sílvia para ver como estava. Precisava entender melhor o que estava acontecendo.
-Desculpe pedir isso ao Diego, mas eu não sabia mais a quem recorrer!
-Imagina... -Diz se sentando no sofá. -Ninguém seria mais indicado pra isso.
Sílvia olhou para o carrinho de bebê onde Nina estava dormindo.
-Ela está tão bonita. Que anjinho!
-É assim que o Diego a chama! –Roberta lembra com alegria. –Mas é o anjinho mais espoleta que eu já vi!
Sílvia ri.
-Dá pra ver como ele é louco por ela! Nunca o vi tão contente, tão responsável e maduro. Você fez muito bem ao Diego desde que entrou na vida dele!
Antes que Roberta consiga absorver com toda a felicidade o que ouve, Danilo desce as escadas correndo e Bruno vem logo atrás.
“Eu te pego!” “Quero ver!”.
-Meninos! Não corram pela casa! –Sílvia os corrige, mas eles atravessam para outro cômodo da sala, sem ouvir uma palavra do que a mãe diz.
Roberta se lembra algo importante e abre a bolsa rapidamente.
-Nossa, eu tenho que ligar para minha mãe. -E olha o celular. –Droga, está sem bateria.
-Pode usar o telefone do escritório do Leonardo. É mais íntimo para fazer ligações. Eu fico de olho nessa mocinha.
-Obrigada, Sílvia!

Roberta sai e segue o corredor até encontrar uma salinha e o telefone sobre a mesa. Já conhece o lugar. Enquanto isso, os gêmeos continuam fazendo bagunça. Quando ouve os gritos, Sílvia se desespera.
-Mamãe! Socorro!
-Ah, meu Deus, o que foi agora? –Ela se levanta e sai rapidamente para olhar da porta, mas não os vê. –Meninos! Parem com isso!
-Mamãe!!
Ela volta os olhos para o carrinho onde está Nina e ao constatar que continua dormindo, vai atrás dos gêmeos. Um minutinho apenas não teria perigo.

Ao se passar alguns segundos, no entanto, o relógio bate uma da tarde, o horário em que Patrícia começa a trabalhar. E como sempre é pontual, antes mesmo do ponteiro estar no “12”, ela já abre a porta da sala. A primeira coisa que estranha é a visão daquele carrinho perto da mesinha de centro, sem ninguém ao lado.
Ela junta as sobrancelhas, curiosa e se aproxima. O salto alto da sandália faz barulho enquanto caminha e a calça justa quase a impede de se abaixar para olhar.

-Hm... –Dá um sorriso enojado. –A filha da selvagem. 

Comentários

  1. Perfeito!

    Vc se supera a cada post Aline! Parabéns!

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  2. Amandoo.. Soh eu q qro matar essa Patricia?! Mega ansiosa para o proximo cap. Parabens Aline

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  3. Aline, eu poderia dizer q seu blog é perfeito ou espetacular, mas ñ há palavras para descrever!!!
    PS: vai acontecer algo com o Diego ou com a Nina ???!!!!

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  4. tava com saudades. Ñ some mais ñ PF <3
    quero ++++++++++++++

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  5. Posta mais pleaseeee?a amandooooo!

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  6. Por favor não demora tanto pra postar.

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  7. Sou viciada na sua web,e msm sem vc postar dou uma conferida qse todos os dias para ver se postou, já estava até sem esperanças de vc voltar! Obg e ñ demora mto pra postar sei q sua vida é corrida, mas ñ some ñ please! Bjssss e vc escreve mtoo bem!

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  8. Ei galera, eu sei q demorei muito a postar nessas últimas vezes, não teve jeito mesmo, mas agora vou postar toda semana, sem falta, tá menos carregada a minha vida esses dias. Ah, muito, mas muuuito obrigada por me esperarem! Vocês são demais!! Beijos enormes!!

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  9. Se essa vaca encostar na Nina eu vou decepar a cabeça dela! [Como se eu pudesse rsrsrs]

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  10. Ai Aline eu realmente AMO a sua web. A cada dia fica melhor <3

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  11. Ah meu Deus,essa Patrícia! Tenho nojo dela! Urgh!
    Que bom que você vai poder postar toda semana Aline! É muito bom muito entrar no blog e ver um capitulo a nos esperar! Estou muito feliz com a sua volta!!
    Eu tô muito curiosa pra ver o que essa coisa nojenta vai fazer com a Nina!
    Beeeeeijo <3
    Mari.

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