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Cap 72 - Presa arisca

 Ele pega a estrada outra vez. Roberta só pode ter ido a um lugar, óbvio, não dava pra esquecer aquela noite em que era para tudo dar certo. Isso mesmo, “era”, porque apesar de ter sido muito, mas muito bom, poderia ter sido melhor se tivesse rolado o que ele tanto queria.
Diego vai pensando enquanto o carro vai reto no caminho ao clube onde ele havia feito aquela declaração de amor para ela. Agora, no entanto ele devia ir bem preparado para qualquer coisa, já que era uma caçada e Roberta era uma presa um tanto selvagem.



Ao chegar ao local, estacionou e viu apenas um homem na entrada. Estranhou, mas logo percebeu que ele estava a sua espera.
-Que bom que chegou.
-Eu? –Diego ficou confuso.
-Sim. –O homem uniformizado estranhou também. –O clube estará fechado para o senhor e sua namorada, como daquela vez.
-Ah... Claro, claro... –Ele faz que sabia. –E onde ela está?
-No mesmo lugar. –O homem insinuou com um sorriso discreto.
-Obrigado.
 Diego entrou. Ainda era cedo, mas em pouco tempo a noite chegaria. Pegou a mesma trilha que levava aquela casa onde ele e Roberta haviam passado alguns momentos juntos. É um tipo de cabana para as pessoas fazerem churrascos em família ou passarem um tempo mesmo. É uma casa rústica, de madeira e cercada de grama e arbustos. Ao redor, as árvores altas estão quietas e balançam lentamente com o pouco vento que recebem. Ele olha lá dentro e tem certeza de que ela não está, seria fácil demais.
Sobe as escadas e atravessa a pequena varanda até bater na porta.
-Roberta!
Percebe depressa que não há mesmo ninguém ali e retorna, olhando distante pelo cenário verde à sua volta. É nisso que seu celular toca.
-Alô.
-Chegou depressa.
Ele franze a testa.
-Sabe que eu to aqui?
-Claro eu estou te vendo.
-Como? –E dá um giro, olhando cada pedaço do lugar. –Onde você está?
-Eu sabia que você não era tão bobo assim.
-Hã... Até parece... Achou que eu não ia me lembrar daquela frase? Fui eu mesmo que escrevi pra você! Mas agora me diz onde você está. Não está mesmo aqui, não é?
-Você acha que não posso estar escondida entre essas plantas?
-Acho.
-Mas eu sei que você está de blusa azul, listrada e está usando a calça jeans que comprou na semana passada.
-Ah, eu saí de casa assim, tá espertinha.
-Mas eu também sei que você está olhando na direção da trilha com a mão direita na cintura.
Diego não respondeu, apenas voltou a olhar todos os cantos quando ouviu uma risada e um barulho próximo a um dos arbustos. Alguém tinha corrido dali e era ela.
-Ei! –Ele corre até lá, se enfiando no meio daquele mato. –Roberta!
Começou a correr na grama a passos largos depois de se arranhar nos arbustos que tinham mais de um metro de altura. Ainda não havia entendido que desejo maluco era aquele, mas estava gostando.
Ao chegar mais longe ali, onde havia algumas pedras altas e era mais baixo que o restante do lugar, Diego ficou sem saber para onde ir. Não havia sinal dela, até que seu celular tocou novamente. É, parece que iriam se comunicar assim.
-Assim vai ser difícil! –Ele dispensou o “alô”.
-Achei que fosse um caçador. Acho que não é tão bom quanto diz ser.
-Onde você está? Em cima de alguma árvore? –Ele ri.
-Pode ser. –A voz dela era sacana.
-Me explica essa maluquice direito, vai.
-Eu quero te provar.
-Aí eu gostei.
-Ah, também... Mas estou falando que vai ter que provar que é capaz de me pegar.
-E se eu for capaz? –Diego vai gostando ainda mais.
-Bom, se conseguir... Vai poder fazer o que quiser comigo.
-O que eu quiser?
-Hum-hum. Mas se não conseguir...
-Se não conseguir, o que?
-Aí... “Eu” faço o que quiser com você! ...Tem até às sete, meu amor. Boa sorte.
-Ei! Espera.
 Ela desliga.
-Mas... Mas por onde eu começo?
Ele tinha pouco mais de uma hora. Confuso, sem saber por onde procurar, Diego começa a andar por todo aquele espaço, até que começa a ouvir uma música tocar de longe e a reconhece...  “Incondicional”. A música que ele levou para lá naquele dia.
Ao se aproximar, foi ficando ainda mais distante da cabana que agora nem se via mais e encontra um gravador sobre uma das grandes mesas de madeira circular que estão por ali, perto de um lago. Era uma pista, com certeza. A música tocava alto e estava em “repetir”. Alguma hora eu iria encontrar – pensa ele. Então desligou o aparelho e olhou para frente vendo uma nova trilha para um lugar mais denso, com mais arbustos e árvores próximas umas das outras.
-Se é isso que você quer. Então, vamos à caçada. –E partiu pela trilha.
O sol já está se pondo e Diego anda um pouco abaixado, à espreita. E vem os sons do vento nas folhas, das folhas nos galhos e dos galhos de volta ao vento, formando uivos. É nesse transe, enquanto fica parado alguns segundos observando a paz da natureza, que algo cai em sua cabeça.
-Au! –Ele olha no chão e lá está um pequeno embrulho. –Mas o que é isso?...
Ele esfrega a cabeça dolorida enquanto pega, olhando para todos os cantos.
-Que violência... –E olha para trás e para cima, com a esperança inútil de vê-la.
Ao retirar o papel branco que envolvia o embrulho, ele reconheceu logo o caderninho negro.
-O diário da Roberta.
E foi logo abrindo.
“As suas mãos sabem me dar prazer”
-Uau... Abri em uma boa página! –Ele ri, mordendo o lábio.
Vai andando pela trilha enquanto lê. As palavras dela lhe causavam arrepios no estômago e sinais desesperados em várias partes do corpo. Roberta sabe ser direta, doce e quente ao mesmo tempo.
 “Amo quando Diego me prende com força, mas me beija com carinho. Eu amo o corpo dele em cima do meu, me imobilizando. E amo quando me segura pela cintura, me abraça por trás e me morde o pescoço.”
Ele vira as folhas até chegar à última página escrita.
“As feras costumam dormir nas pedras altas.”
-Pedras altas?
É quando ele se lembra de já ter passado por um lugar assim e se anima.
-Ai, eu vou te achar... –Diego guarda o diário na camisa e corre.
Apesar de querer pegá-la de qualquer jeito, ele sabe que estará no lucro se não conseguir. O problema é que se ela não queria o mesmo que ele.
Diego olha no relógio. Faltam quinze minutos para as sete horas, já está escuro o suficiente para se perder e ainda não encontrou a bendita pedra que tinha visto.
-Direita? Ou esquerda?
-Tá lerdo, hein?
Nesse momento ele se vira e vê Roberta com um largo sorriso no final do caminho. Estava preparada para correr.
-Agora eu te pego! –Ele corre feito um furacão com um sorriso tão malicioso quanto o dela.
 Atravessa as árvores e a vê subindo a pedra, sumindo do outro lado dela. Não dava para atravessar, os arbustos em volta iriam lhe provocar mais arranhões. O jeito era subir também. E assim ele faz. Corre pedra a cima e quando consegue descer do outro lado, só ouve os risos dela. Corre um pouco mais e consegue vê-la, apenas um vulto, um shorts jeans, uma camiseta branca, os cabelos presos para facilitar a fuga.
-Você é bom, mesmo?
-Muito!
Eles ofegam enquanto gritam. Era difícil correr com tantas pedras e mato pelo caminho.
-Que pena, porque eu também sou muito boa.
-Que você é “boa” eu não tenho dúvidas!
Ela ri.
-Com pensamentos impuros, Diego?
-Todos que você possa imaginar!
Roberta se diverte, apesar de cansada.  Se ele a pega vai ser bom, se não a pega, ainda melhor. Há tantas coisas com as quais pode fazê-lo enlouquecer que está viajando em pensamentos enquanto corre para seu esconderijo.
-Não seria ótimo... –Está difícil falar, respiração cansada. –Se começasse...
-Nem diga! –Ele protesta.
-A chover?
E é só ela dizer que um trovão se anuncia. Estava tão quente, mas tão quente o dia inteiro que não era de se duvidar que chovesse. E não devia ser pouca água não.
Eles realmente tinham sorte com a chuva, adoravam água e sempre se encontravam nela.

Comentários

  1. Maravilhoso! Se isso é só um rascunho imagine o capítulo inteiro, sempre vale a pena esperar pelos seus capítulos!! =D

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  2. Bom demais! hahaha adoro esses capítulos com um suspense, sl

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  3. MORTA, Preciso do resto do cap plmdds!

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  4. diro + agua =coisa boa
    adoro a sua web novela aline muito show ansiosa pra ver o resto do cap.

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  5. AAAAAAAAAAAAAMMMMEEEEIII O ESSE CAP E TODOS OS OUTROS,ATÉ COM A CABEÇA MEIA RUIM VC SE SUPERA...
    AAAAAAAAAAAAAAAAAAA AMEI AMEI AMEI

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  6. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh, realmente, sempre vale a pena esperar seus capitulos... Posta assim q puder Line, estamos esperando *---*

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  7. Posta +++!! Quando sai o resto? Eu to AMANNNNNDOOOO a sua web

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  8. Amei, se pouca inspiração eh isso, só quero ver você nos melhores dias. Deu ate vontade de ser cacada também.

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  9. aline to adoorando a sua web por favorzinhooo posta ++++.
    ta cadadia melhoooor
    um bjuuuu grande
    ass:duuuda :)

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  10. ADOROOOOOOOO perfita sua web, amiga escreva um livro dessa webe será conhecida até na Conchinchina kkkkkkkkkk

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  11. Aline , vai postar hj ??! Beeeijinhos Duuda

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  12. Alineeeeee posta +++!! Eu to AMANNNNNDOOOO a sua web!! Posta amanha pffffff!!

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  13. aline to adorandoooooo a sua web
    quando vc posta o resto dd 72? ai to super curiosa pra saber o que vai acontecer

    beeijinhos Duuda

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  14. serio,voce precisa/PRECISA/PRE-CI-SA/P-R-E-C-I-S-A postar o proximo!!!!!!
    to começando a PIRAR esperando o proximo!!

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  15. pelo amor de Deus Aline posta maisssss! to super curiosa!vc arrasa!

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  16. posta +++++++++++++++++++++++++

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  17. aline eu to amando a sua web .quando voce vai postar mais? to morrendo de curiosidade pra saber o que vai acontecer. Sua web ta ficando perfeita,cada dia melhor!

    POSTA MAIS PLISSS!

    um beijao pra voce
    Ass:duuda =)

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  18. Aline eu não achei aquele conto que a Roberta ficou com suspeita de gravidez ainda tem ele aqui no blog? Responde por favor.

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  19. Alineee cade vc? Posta mais pelo amor de Deus...

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  20. posta +++++++++++++++++++++++++++++++++

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  21. posta ++++++++++++++!!!!!! pfpfpfpfpf

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  22. Leitora novaaaaaaaaa, to amando a web, te sigo no twitter, sou a Isabelaluar1 posta mais por favor, me manda o convite para poder ler o seu outro blog q contém o seu diário? Fiquei curiosa pra sabe a vida de uma ótoma escritora desde 11 anos.

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