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Cap 70 (faculdade) - O caçador


 É feriado, dia primeiro de janeiro.  Diego está sentado no sofá, esparramado no encosto com os pés na mesinha de centro. Nina, sempre dorminhoca, está apagada em seu colo. Ele tinha aceitado o acordo, teria sempre sua vez de cuidar dela. Mas para sua sorte, nesse dia a menina já está exausta demais para ainda conseguir fazer travessuras.
-Um aninho. –Diego passa a mão pela testa dela, sorrindo. –Tá crescendo rápido demais...
-Logo vai ser uma mocinha. –Roberta chega da cozinha e logo senta ao lado deles.


-Não... Ainda falta muito pra isso.
-Hm!... –Roberta ergue as sobrancelhas. –Já tá com ciúmes, é?
-Claro que não. Imagina. Mas ela ainda é um bebê. –Ele olha bem para a filha. –Se bem que...
-Que foi?
-Ela podia ter nascido mais feia, né?
-Tá doido Diego? –Roberta ri com estranhamento.
-Olha pra ela, Roberta... –Ele aponta. –Ao trabalho que essa menina vai me dar!
-Por enquanto o único trabalho que ela dá é com fraldas e mamadeiras. –Roberta brinca com as mãozinhas da menina.
-Eu vou é começar a treinar karatê desde agora. Só você já me dá muito trabalho, com as duas então, eu...
-Espera, espera... Como é?  –Roberta se diverte. –EU te dou trabalho?
-Acha que eu não vejo como aqueles caras da faculdade te olham, não?
-Me olham normal, ué!
-Na-na-não. –Ele faz com o dedo. –Eu sou homem, conheço o olhar, é de caçador!
-Ahh... –Ela cerra os olhos, se fazendo de desconfiada. –Então você entende de caça é?
-Claro. Sou um ótimo caçador.
-Caçador!? –Ela interpreta mal e se exalta. –Espero que aposentado se não quiser perder os dentes!
-Não dá pra me aposentar. –Ele brinca, se referindo a ela com os olhos de menino arteiro. –Tenho uma presa muito selvagem e essa caçada nunca termina.
 Roberta vira o rosto prendendo o riso. Que vontade tem de bater e beijá-lo ao mesmo tempo.
-Sabe qual é o seu problema?
-Hm?
-Eu te deixei muito convencido! –Roberta cruza os braços. –Mas tudo bem... Vamos ver se você é bom nisso mesmo.
-Como assim? –Ele fica curioso.
-A gente vai fazer o teste, ué. Já tenho o meu desejo. Não se esqueceu dele, eu espero.
-Claro que não. Mas que tipo de desejo vai ser?
-Vai ter que me pegar, caçador... –Roberta pronuncia provocante.  
 E assim que diz, se levanta deixando-o no vácuo. Sobe para o andar de cima enquanto Diego permanece com Nina, que nem ao menos havia se mexido durante toda a conversa. Ele fica pensando com um sorriso maldoso no canto do rosto. Tem várias interpretações para a frase dela e nenhuma muito inocente.
 Logo que volta a si, olha para a filha e se levanta.
-Vamos pra cama, meu anjo? –Ele vai falando escada a cima. –É, o que vai ser de você vivendo comigo e com a Roberta, hein? –E ri enquanto Nina não faz ideia do que ele esteja falando. –Mas não se preocupe filha, vou fazer uma poupança pra pagar sua terapia.

***

 Nesta mesma noite, Pedro sai de casa com sua moto acelerando pelo asfalto ao encontro de Alice. Quando ele chega ao apartamento onde ela continua a morar com Márcia, percebe que está tudo bem agitado por ali.
-Oi! Tá muito ocupada? –Pedro vai entrando ao mesmo tempo em que dá um beijo em Alice.
-Pra você ver! Estávamos só a Márcia e eu, mas agora vem mais uma pra morar com a gente.
-Quem? –Pedro senta no sofá e a namorada vem junto.
-Você nunca vai adivinhar.
-Então é melhor me dizer.
-A Vitória... –Alice faz cara de quem está se aguentando para não morder o nome. –Eu odeio dividir apartamento, agora com essa garota ainda mais. Eu não confio nela, além dessa garota ser uma fofoqueira.
-Então porque aceitou?
-É amiga da Márcia e ela agora está que nem o Diego, querendo ser independente, quer trabalhar e pagar a parte dela no apê, mas o que ela ganha não dá, então precisamos de mais uma garota pra dividir despesas.
-Mas só encontraram a Vitória?
-Que nada, ela que pediu.
 Pedro franze a testa e fica pensativo. Isso não parecia dar certo. Alice logo interrompe o silêncio.
 -Você disse por telefone que tinha algo pra me contar, não é?
-Ah, sim, mas é uma coisinha atoa. Eu já falei com o Tomás e a Carla. É que o Diego quer que a gente ajude ele a fazer a festa da Nina.
-Ah! –Alice leva a mão a boca soltando gritinhos. –Coisinha? Como assim, amor? Isso é um marco! É sério isso?
-É, por que ele tá...
-O primeiro aninho da minha lindinha! –Alice nem ouve. –Eu vou fazer uma festa digna de uma princesa pra ela!
-É melhor não ser rosa, hein... –O namorado avisa.
-Porque não?
-A Roberta te mata se você colocar a filha dela no mundo da Barbie.
-Ah, Pedro, se eu não ensinar a Nina a ser uma menininha, quem vai ensinar?
-Não exagera Alice, a Roberta nem veste ela como menino.
-Mas ela é uma bonequinha e a Roberta nunca colocou umas rendinhas nela, uns lacinhos, uns vestidinhos engomadinhos... –Os olhos da patricinha brilham. –Imagina só amor, como eu poderia deixar aquela menina mais fofa ainda!
-Ela é uma criança, Alice, não é uma boneca!
-Ai, a Roberta já me disse isso. –Ela bate o pé, irritada. –De que lado você está, afinal?
-Do lado certo! –Pedro tenta explicar. –A filha é dela, não nossa. Nós somos só os padrinhos e nem “padrinhos” de verdade.
-Como que não? Tomás e Carla batizaram e nós consagramos, além disso, somos tios também, tá?
-Sei não. É melhor ir de leve.
 Mesmo Pedro avisando, Alice nem parece ouvir, já está com a mente longe, pensando em cada detalhe da festa da sobrinha, com um sorriso de orelha a orelha.

***


 O dia amanheceu e Diego não conseguia nem ao menos encostar em Roberta.
-Não senhor. –Ela desvia de um beijo na nuca quando se arrumava frente a penteadeira. –Você tem que se preparar.
-Pra te beijar?
-Hm... –Ela revira os olhos rindo. –No mínimo. Porque eu to esperando o máximo.
-Meu Deus. –Diego a segura pela cintura e olha de cima. –O máximo?
-Claro. Não é isso que se espera de um caçador?
-Talvez. Mas o destino da presa é ser devorada, não se esqueça.
-Ah é? –Ela provoca. –Quero ver se vai conseguir me pegar. –E morde os lábios enquanto Diego chega mais perto de seu peito.
-Pegar tipo... –Ele puxa com força contra seu corpo e Roberta geme. –Assim?
-É... –Diz entredentes. –Bem apertado...
 Diego chega os lábios e Roberta fecha os olhos, eles quase se encostam, já sentem o calor do organismo, tem a lembrança do sabor e da textura ali sempre presente.
-Ok. –Ele a solta, respirando fundo e a deixando decepcionada. Roberta já esperava um belo beijo.
-Que foi?
-Já que você quer... Vamos à caça.
 Roberta para um segundo, sorri e depois dá um passo até ele.
-Então até à noite. –E segurando seu rosto com uma das mãos ela deposita um beijo demorado no canto de sua boca, apenas para provoca-lo mais uma vez. Era necessário a sua vaidade.
 Quando ela passa, no entanto, Diego se segura para não agarrá-la e puxar de volta. A vontade que tem é de jogá-la naquela cama e fazer amor com ela a manhã toda, sem parar, até que nenhum músculo esteja se equilibrando. 

Comentários

  1. Mais um capítulo perfeito!!! =D

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  2. Muito bom... Vc cada dia fica melhor!

    Parabéns

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  3. Ai meu Deus, como lidar com as esses dois? perfeitos demais! *-* Posta mais, por favor...

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  4. amo esses dois! a Alice como sempre meio loquinha, mas o casal Diro..... sempre o melhor! amo dimais sua web!!

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  5. EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUAMOAMWEBEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUAMODIROD+EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
    #TOMEIALOUCAHOJEMASAMOAWEBEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

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  6. Ameiiiiiii!!! Quando vc posta ++??

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  7. pelo amor de deus posta mais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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