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Cap 58 (faculdade) - Casal fora de hora


Carla e Tomás estão no loft de Beck e Vicente. Ela lhe trás vários alimentos da geladeira e enquanto fazem um lanche, o rapaz repara nela, estranhando sua maneira de comer - apesar de estar feliz em vê-la comer.
-Porque tão devagar?
-As coisas são assim pra pessoas como eu... –Ela pega um pedaço de morango com o garfo. –Devagar pra aceitar comida no estômago e manter ela lá...
-E só fruta e verdura?
-Não... –Ela remexe o prato. –Tem uns biscoitos de água e sal também.
-Eca... –O namorado faz cara de nojo.
-É saudável, Tomás!
-Eu prefiro um hamburgão! Uma pizza com dois quilos de queijo... Uma lasanha com bastante recheio...
Carla fica com uma expressão alegre ao ouvi-lo, já não sente nojo ou compulsão pela comida como antes, apenas não consegue se imaginar consumindo as mesmas coisas e na mesma quantidade que ele, pois mesmo que tivesse muita vontade, acabaria colocando tudo para fora depois. Ainda carrega dentro de si uma vontade de ser diferente, de ser perfeita. Ninguém chega à perfeição? Talvez eu - pensa ela. Mas logo se recorda das palavras dos terapeutas, das meninas que estavam na clínica a mais tempo que ela e intensifica suas forças. Ninguém tem porque sentir pena de alguém que não sente pena de si mesmo. Se matar por padrões sociais? Quem se importa com a morte de mais um nesse enxame de gente alienada? Para alguns é mais difícil ser feliz com dois quilos à mais ao lado de quem os ama, do que ser feliz em uma caixão escuro dentro da terra, pesando exatamente o que uma mariposa pesa, e por isso mesmo não vive nem quinze dias.
-Que foi, Carlinha? –Ele percebe que ela está longe, pensando demais.
-Nada não... –Ela se levanta com o prato na mão. –Continua comendo, eu vou comer depois.
-Te incomoda?
-Te ver comendo?
-Não, escalando o Everest...
-Hã... Palhaço... Não é brincadeira o que eu passei. –Ela para olhando para baixo com a mão na porta da geladeira.
-Desculpa. –Ele se levanta, também com o prato em mãos e vai até ela.
-Que tá fazendo?
Carla o olha guardar tudo que ainda comeria dentro na geladeira e ficar somente com uma maçã nas mãos.
-Deixa de bobagem Tomás, eu sei que isso não te enche...
-Eu e você, você e eu... –Ele se vira para ela tentando disfarçar o nó na garganta com o brilho do sorriso de moleque crescido. –Vamos ser um só... O que você comer eu como. Se você ficar forte eu fico forte. Se você ficar fraca eu fico fraco. Se viver, eu vivo. E se morrer eu morro.
 -Mas pra que isso?
-Pra te mostrar que você é parte de mim e que tudo o que você faz a você mesma de bom ou de ruim, eu também sinto. Não é porque não dá pra ver fisicamente que eu não me destruí junto com você.

***

Na mansão da família Maldonado, Roberta e Diego estão pasmos com o que ouvem de Leonardo. Teria voltado a ser o mesmo carrasco de antes? Não era possível. Estava indo tudo tão bem até aquele momento, porque estragar tudo?
-O senhor não fala sério! -Diego fica decepcionado com o pai. -É impossível que realmente tenha coragem de uma maldade dessas. Eu pensei que quisesse nossa família unida de novo.
-Ok, eu posso ter me precipitado. –Leonardo se arrepende por um instante. –Mas vocês são muito jovens, eu só quero o melhor pra ela.
-Tirando ela dos pais? Bela forma de querer bem a uma criança! –Diego se irrita.
-O senhor é o avô, não é o pai. –Roberta é ríspida. –Eu e o Diego é que decidimos aqui! Então não importa se o senhor acha que somos jovens demais para tomar decisões, ela é nossa e é nosso direito e o nosso dever cuidar dela!
Nina se assusta com a discussão e como se percebesse o nível do problema, começa a chorar.
-Vocês não veem?
-Vemos sim, pai. –Diego ergue a cabeça e Roberta pega a filha dos braços dele para tentar acalma-la. –Vemos que o senhor não mudou nada, talvez não valha a pena tentar mesmo... –E põe as mãos nos ombros de Roberta. –Vamos embora.
-Esperem, por favor. –Sílvia os impede. –Não vamos começar tudo de novo.
-É ele que...
-Eu sei Roberta, mas isso não passa de ciúme...
-Que é isso Sílvia? –O homem se desequilibra do salto.
-Ah, é a verdade Leo! –A mulher o esnoba. - Você só está com ciúme porque eles não pediram pra Nina ficar aqui.
-É isso? -Roberta leva um baque.
Como assim aquele gorila de terno sentia ciúmes deles? Aquilo era apenas birra de gente grande? Como assim? Ela tenta se situar e, mesmo tendo passado parte do susto e da raiva, ainda permanece de olhos abertos.
-Bom... –Diego amansa. –A gente só não quis atarefar vocês demais. A Eva e o Franco não têm outras crianças em casa e...
-Isso não é desculpa, aqui temos muito bem condições de cuidar dela. –Leonardo falta pouco fazer biquinho.
-Ok... –Roberta fala baixo segurando a cabeça da filha no ombro. –Podemos trazê-la nos dias que vocês quiserem e PUDEREM recebê-la, tudo bem assim?
O homem fica satisfeito. Foi um pouco mais de conversa até as coisas parecerem mais certas e eles poderem sair de lá sem medo ou rancor. Era até possível respirar quando entraram no carro e voltavam para casa.

***

Diego, no volante, conta animado à Roberta como as indicações que estava recebendo dos sócios do clube o estavam ajudando em todo esse tempo. Já havia sido elevado de cargo e agora havia uma empresa oferecendo estágio remunerado, além de algumas outras propostas que havia recebido por conta das inúmeras amizades que fez graças à banda e a ele mesmo também.
-Eu tinha certeza que isso aconteceria! –Roberta lhe doa um dos seus melhores sorrisos. –Você logo vai estar ganhando mais que seu pai!
-Não vamos exagerar né...
-Que exagero o que! Ainda mais com a volta da banda, vamos ter muitos shows pra fazer.
-Eu to preocupado com isso. –Diego foca longe na estrada.
-Por quê?
-A Nina vai ficar muito tempo sem a gente. –Ele pensa. –Durante o dia nós dois estamos fora de casa. Só veremos ela algumas horas à tarde e depois ela ficará na casa da Eva na hora do show.
Roberta torce os lábios tristemente.
-Não podemos levar ela, né?
-Ainda é muito pequena, aposto qualquer coisa que choraria do começo ao fim com aquela algazarra toda. Eu mesmo quase choro. –Ele brinca.
-Own... –Roberta aperta sua bochecha. –Tadinho do meu outro neném!
E no deboche dela, Diego se sente tentado a largar o volante para beijá-la.
-Que você tá fazendo? –Ela se assusta quando ele entra em uma estrada diferente.
-Você vai ver.
Alguns muitos metros adiante, ele estaciona. Está em pleno entardecer e não há ninguém à vista. A estrada é recheada de sombras de árvores e quando Diego retirou os cintos e com os braços passando pelo colo dela, a libertou também, Roberta já sabia o que ele queria.
-Terceiro desejo agora não vai dar hein? –Ela alertou.
-Você anda muito maliciosa.
Diego sorri provocante e se inclina para beijar sua boca. Ela o recebe com calor, com arrepios ao sentir a mão dele sobre sua coxa a lhe apertar.
-É sério, Diego. –Ela olha para trás. –Não dá né?

Nina, dormindo no bebê-conforto pesadamente nem imagina o que pode estar acontecendo. Era sempre assim quando a colocavam em um carro. Ligou motor, desligou bebê.
-Ah, ela tá dormindo... –Ele tenta voltar para sua boca, mas em vez dela, encontra seus dedos feito um muro.
-Aqui não é lugar pra isso...
-Ah, mas eu só quero te beijar... Um beijinho de nada.
-Nem me vem com essa carinha de inocente não, tá? –Roberta brinca. –Eu sei muito bem onde vão parar suas brincadeiras... Da última vez foi na praia...
-Nossa... Aquela praia hein? –Diego relembra e os olhos vão ficando morteiros. –Precisamos repetir... Na areia, em plena tarde e ao ar livre. Isso sim foi uma delícia.
-Se foi... –Ela deixa escapar e Diego dá um riso safado.
-Viu só!
-É... –Roberta lhe dá um tapa. –Mas meu coração quase saiu pela boca quando aquelas duas pessoas apareceram!
-Isso foi um tempero... Tava bom demais... –Ele olha torto.
-Diego você não tem noção do quanto...
-Ah, chega de papo...
E ele lança a mão em sua nuca pressionando sua boca a dela forçando passagem. Em um gemido de um segundo parece que ela tenta se libertar, mas em outro “um segundo” já está laçando a língua férvida na dele e puxando seus lábios com os dentes. Suas mãos apertam o peito de Diego sobre a camisa e sentem cada músculo dele se enrijecendo com seu toque. Como uma gata, o castiga docemente com unhas afiadas e sente em retribuição as mãos dele, rudes em seu corpo a lhe deixar vermelha.
Que hora para um amasso, pensa Roberta. Mas logo se lembra... Desde quando se importavam com hora? A verdade é que se um queria, o outro não resistia e acabavam os dois perdidos mesmo.
 Diego avança, se aprofundando e se mexendo no beijo como se tivesse pilhas. Roberta o desnorteia com sua forma de prender o corpo ao dele, mesmo sabendo que ali não “dava”... Claro, ele lembra, para as mulheres é bem mais fácil disfarçar se estão com vontade de partir para a última etapa, mas para um homem não. Acendeu, já era, todo mundo percebe. Mas já que a tinha provocado, aguentaria. Mesmo que fossem só ficar nas mãos bobas e nos beijos, iria deixa-la louca também, tanto quanto já estava.
-Hm... –Ela suspira e Diego desce por seu rosto, aquecendo-o com os lábios. –Tá... Agora vamos.
-Jura? –Ele morde suave seu ombro, cochichando.
-Juro...
-Verdade? –Agora o pescoço.
-É...
-Como disse? –A orelha.
-Esquece...

Comentários

  1. AmeiiiiiiiiiiiS2 posta logo vai :)

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  2. LOOOOOOL Quanta safadeza ::::::::::::::: AMO !!!
    kkkkkkkk

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  3. Aiai Aline é incrivel a maneira como vc prende a gente nessa web... Já fico toda arripiada lendo isso... Pode posta mais que o negocia tá é bom haha

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  4. Posta +++++++++++++++++++++++
    AMEI o casal safadinho *-*

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  5. cada dia mais apaixonada pela web !!!!!! a robeta nao amamenta a nina nao?

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  6. cada dia mais apaixonada pela web !!!!!! a robeta nao amamenta a nina nao?

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  7. Esses dois desde que começaram viciaram kkkkkkkkkk.
    Posta ++++++++++++++++++++

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  8. aaaaaaaaaaa tá mais q Perfeito ! Posta o 59 hoje Aline por favor ...


    Alice

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  9. #.. awwwwwwwwwwwwn, que perfeiçãaao véi ! :) u.u

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  10. MEU DEUS EU PRECISO SABER SE ELES VÃO SE AMASSAR NO CARRO MESMO! POSTA MAIS!!!

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  11. wooo postamais to amando sua web, zika (66

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