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Cap 51 (faculdade) Um pedaço do nosso amor


Sílvia voltara para casa para cuidar dos meninos enquanto que Eva, Franco e Leonardo vieram para a espera junto com os filhos. Tomás havia ido levar Carla para visitar um centro de recuperação para pessoas com distúrbios alimentares e ainda não sabiam do ocorrido.
Quando a médica saiu do quarto, Diego e os demais a cercaram. Ela escrevia em um prontuário e mal os olhou nos olhos.
-E então?
-Eu disse que o mais provável era que não resistisse, não é? –A mulher não o poupou.
-Mas... –Diego fica sem chão. Os membros adormeceram-se em instantes. O mundo parecia imenso e ele somente um inseto sendo esmagado ao acaso. A médica o retira do poço em alguns segundos.
-Só que parece que ainda está firme. Está realmente firme. –Ela fala mais consigo mesma, quase desacreditando. -É uma vida insistente essa que vocês têm.
-Então está tudo bem?
-Quase. Vocês já podem ir para casa, mas ela vai ter que se cuidar muito. Aqui estão as instruções para cuidados que sua namorada deve tomar.
 Diego pegou o papel sorrindo, sem ver que em suas costas, todos suspiravam aliviados. Os pais disfarçando o molhado dos olhos e os amigos rindo radiantes, sem nenhuma dúvida de que era o que aconteceria.
***

Mesmo Eva tendo insistido muito, a filha não aceitou ir para sua casa. Queria ficar longe de toda confusão que havia se instalado em sua vida, então com muito custo a mãe lhe entregou a chave da pequena casa onde Roberta queria ficar até ter um novo apartamento.
-Não, fique com a casa! E nem venha com isso de independência que eu sei que você vai precisar. –Eva dá um basta na conversa. –E não quero saber de você na gravadora.
-Mas mãe...
-Não senhora, repouso absoluto até segunda ordem. –Eva pega a bolsa da filha e coloca sobre a cama de volta. –Agora precisamos conversar. Senta aqui.
-Ah não mãe... –Roberta revira os olhos. –Eu não quero palestra.
-Senta e escuta! –Eva é dura. –O que eu tenho pra falar é importante.
Roberta se assusta com o jeito da mãe e obedece.
-Acho que nunca conversamos sobre tudo que precisava.
 -Tudo o que?
-Eu passei pelo mesmo que você está passando. Tinha a sua idade quando engravidei.
-Disso eu sei.
-Mas não sabe dos detalhes... Filha, eu te amo, e não me arrependo um segundo de ter tido você. Mas foi muito complicado pra mim e ainda é. Eu não era madura o suficiente...
-Era? –Roberta ri.
-Ok... –Eva retribui o rosto brincalhão. –Eu nunca fui uma ótima mãe, mas eu tentei, mesmo passando enormes dificuldades com você.
-Sério? Que tipo? –Roberta fica curiosa.
-Você adoecia e eu não sabia o que fazer, ficávamos as duas chorando! –Eva ri. –Outras horas eu tinha que estudar, que trabalhar... Ou queria ir para festas, namorar... Mas eu havia deixado de ser prioridade, a minha vida estava em segundo plano. Tirando que até quando você ia pra escola meu coração ficava apertado.
-Fala sério, mãe!
-Mas é sério... Quando você é mãe você está sempre com medo de algo ruim aconteça, nunca mais tem sossego, não dorme mais com a mesma tranquilidade...
-Acho que ainda não caiu a ficha.
-Você tem muita gente do seu lado. Eu sou a primeira que você pode chamar. Você sabe disso não é?
-Sei.
Roberta sorri e encara a mãe. Eva lhe dá um beijo na testa e se levanta rumo à porta.
-Mãe.
-Hm? –Eva se vira com o chamado.
-Você é uma ótima mãe.

***

Carla chega à mesa do almoço. Muitas meninas estão naquele centro em situações piores que a sua. Algumas estão tão magras que seus corpos são quase infantis. O pior é que parecem gostar de se parecer com uma menina de 12 anos em vez de se parecer com uma mulher. Carla sente que esteve perto disso.
Quando Tomás a deixou ali ela quase desistiu e voltou com ele, mas o namorado segurou firme sua mão e lhe disse “Eu acredito em você”, assim a força se transmitiu de um olho ao outro e Carla assinou os papéis de internação sem consultar ninguém além dele, já era maior e podia decidir por sua vida. Talvez essa fosse uma das poucas vezes em que fazia uma escolha tão difícil e tão necessária.
Ao se sentar à mesa com o prato de legumes e alguns carboidratos, percebeu que não era a única a sentir repulsa pela comida. As meninas ali demoravam horas para mastigar. Engolir era quase uma sentença de morte, o que não é uma boa comparação, pois morrer não fazia diferença se no caixão as pessoas as vissem magras.
-Eu consigo. –Carla pensa alto. –Eu consigo.

***

E enquanto ela se esforçava para se recuperar, Tomás estava se encontrando com os amigos na saída do hospital. Sua reação à notícia foi a mesma deles, olhos arregalados e queixo caído, mas sua descontração logo quebrou o clima.
-Gente, vamos ter um sétimo rebelde! É a nova geração chegando! Temos que comemorar!
Eles riem das bobagens de Tomás e logo Diego e Roberta entram no carro do motorista de Eva, e o garoto vai com eles. Pedro e Alice os seguem de moto e logo chegam à casa que a cantora havia deixado para a filha.

Ao descer e abrir o portão, Roberta se encanta. Há um gramado na frente da casinha de dois andares. Ela não é tão pequena, tem janelas de madeira com vidros transparentes e telhas coloniais. Ao lado dos muros tem plantas, flores e arbustos, um caminho de pedras leva até a porta da frente onde há uma varandinha com ganchos para pendurar redes. Lembra a casa de praia onde havia passado o fim de semana com Diego. Tudo tem traços rústicos lembrando natureza, paz e silêncio mesmo ficando a poucos minutos do prédio onde moravam antes. Tudo o que ela queria no momento se apresentava diante dela.
-Adorei essa casa. –Diego olha com o mesmo brilho da namorada. –Vamos entrar.
Quando entraram a casa estava limpa e a mobilha era acolhedora. Tudo a pedido de Eva. Logo eles se acomodaram e começaram a conversar.
Pedro começa. –Como vamos fazer com os shows?
-Eu não posso continuar na banda, como todos já sabem. –Roberta se aborrece ao dizer e deita a cabeça no peito de Diego.
-Bom. –Tomás se prepara. –Eu já contei pro Diego e pra Roberta enquanto estávamos vindo que a Carla trancou a faculdade e assinou os papéis para ficar um ano em tratamento por causa da bulimia. A Eva ficou de cuidar dos problemas com o empresário.
-Então a banda vai acabar? –Alice tenta não concluir a verdade.
Acho que vamos ter que dar um tempo. –Pedro se vira para ela, também desanimado. –Não vamos ter condições de continuar.
-E será que vamos conseguir voltar um dia? –Roberta fica temerosa.
-Claro. –Diego sorri para ela. –Eu não tenho dúvida, mas enquanto isso eu vou voltar a estudar, vou trabalhar bastante e cuidar de você.
-Hm... –Ela o beija.
-Ei, esperem a gente sair! –Tomás brinca.
-Eu também vou trabalhar enquanto os shows não voltam. –Pedro avisa. –Não vamos desistir dela por nada.
-A minha mãe vai dar um jeito de divulgar a banda nesse tempo e preparar a nossa volta.
-Sério? –Diego olha Roberta falar abaixo do seu queixo.
-É, ela disse que o público vai ficar afiado a nossa espera. Até o ano que vem vamos ter um figurino inteiro preparado e músicas feitas com perfeição. Vamos ser uma nova e melhorada banda.
A conversa rendeu mais alguns minutos, mas quando tudo que era preciso foi dito, os amigos partiram, deixando o casal sozinho para falar de coisas que em suas mentes ainda fervilhavam. Roberta fecha a porta da frente e volta para o sofá onde está Diego e se acolhe nos braços dele, abraço apertado e longo, um cheiro de carinho nas roupas, um frescor no encostar das bochechas, uma sensação de segurança nos dedos que afundam na pele do outro.
-Eu estou com medo...
Ele a solta e passa a mão em seu rosto tenso, sem dizer nada. Ela continua.
-Ainda não acredito, eu... Eu to feliz por nada de ruim ter acontecido, mas to preocupada.
-Não fica. A gente vai conseguir, eu tenho certeza que tudo vai ficar bem.
-Como pode ter certeza?
Diego pensa um pouco.
-Já percebeu que algumas coisas acontecem sem que a gente se prepare? Tipo nós dois?
-Nós dois?
-É... Eu e você não éramos um casal provável. Ninguém acreditou em nós dois e estamos juntos, agora ninguém acredita que esse bebê esteja vindo na hora certa, nem pro casal certo, mas se for pra ser nosso, vai ser. Eu sei. Ninguém vai impedi-lo de vir assim como ninguém nos impediu de ficarmos juntos. Que se dane a probabilidade! Não faz sentido ainda pra muita gente que dois teimosos, brigões e encrenqueiros consigam se amar. E mesmo assim nós nos amamos não é?
-E como... –Roberta se conforta com as palavras e nem percebe que começa a sonhar.

-Estranho pensar nele.
-É um pouquinho de mim, um pouquinho de você, jogamos no liquidificador e nasce um pedaço do nosso amor.
-Ah...
 Roberta aproxima a boca da dele e envolve calmamente os braços em seu pescoço. O beijo calmo, o abraço seguro, o encontro demorado de um sentimento que havia passado por tantas coisas que conservava uma armadura quase imbatível.
 De olhos fechados, provando o sabor do outro, um pouco de cansaço e temor vai se unindo em um prazer que desejam ter continuamente, como aqueles sonhos bons dos quais a gente acorda e diz a si mesmo “vou fechar os olhos e tentar voltar”...

Comentários

  1. cada vez mais amo a web, tá super incrível. posta mais pf

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  2. Posta ++++++++++++++++++++++++++++++++=
    Lindo *-*

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  3. Amo a cada capítulo essa web,não canso de dizer que você escreve muito bem Aline,Parabéns!Quero mais capítulos e espero que o bebê seja uma menininha ;)

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  4. É verdade Line a cada dia você se supera!amei esse capitulo ta simplesmente DEMAIS!!!!
    E tambem espero que o bebe seja uma menininha ;)))

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  5. Que lindo!! Eu imagino um filho deles.
    Posta mais.

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  6. aaaaaaaaaa Que Liindo Aline . O bebê deles vai ser lindo . Tomara q seja um menina , tó sonhando até com o nome . Aline parabéns pela web . Se for menina vc coloca o nome de Luna ? Acho esse nome Lindo é o nome da Lua em Espanhol .
    Beijão e Posta mais .
    Alice

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