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Cap 50 (faculdade) - Pais e filhos

Como disse a médica, Roberta realmente dormiu por muitas horas e quando o dia já estava claro e bonito, Diego penava para explicar à família e aos amigos o que estava acontecendo. Ainda não havia chegado à parte difícil, mas com toda a pressão, logo chegaria.
-Já entendemos a parte dos irmãos malucos! –Franco está irritado. –Só queremos saber o que a Roberta tem? Porque está internada ainda?
-Eles a machucaram? –Eva põe a mão no peito.
-Não, o Caio nunca faria isso!
-Ah, não Alice? –Pedro fica com ciúme.
-Bom... –Diego fica perdido naquela confusão. –Eu não sei como vocês vão reagir a isso, mas vão saber de um jeito ou de outro então...
Ele apanha forças e diz...
“Grávida?” –A palavra soou em coro. Primeiro Franco levou a mão à cabeça, Alice e Pedro ficaram boquiabertos e Eva... Bom, Eva ficou alguns segundos de olhos arregalados depois eles se reviraram e ela desmaiou. Acordou em seguida e voltou a perder a consciência ao ouvir pela segunda vez “a tal palavra”, que não foi repetida para não haver um terceiro desmaio.
-Agora não é brincadeira? –Alice olhou para Diego pasma e este só fez um sinal negativo com a cabeça, muito sério.
-Eva, acorde! –Franco começou a abaná-la no chão enquanto Pedro e Alice se ajoelharam ao lado dela para tentar ajudar a levantá-la. –Vocês são uns irresponsáveis! –O marido da cantora olhou para Diego, furioso. –Eu vou ligar para o seu pai agora mesmo!
Diego não entendeu muito bem o que aquilo adiantaria, mas resolveu não dar explicações adicionais. Os quatro estavam muito agitados e tudo que ele poderia fazer era voltar para ao lado de Roberta. Não queria que ela estivesse só quando acordasse. O que não aconteceu por algum tempo.
Mesmo assim, Eva, Franco e os amigos entram para vê-la. Diego fica no canto, calado, enquanto a mãe de sua namorada choraminga sobre ela.
-Diego, como isso foi acontecer, cara? –Pedro cochicha com o amigo. –Não se cuidam, não?
-É uma longa história.
-Nossa, mas como vai ser a banda, a faculdade?
-O maior problema agora não é esse, Alice.
O rapaz sabe que os problemas existem, mas não são eles que importam no momento. O futuro com uma criança seria difícil, mas nem sabiam se teria uma criança nesse futuro.
Quando Leonardo chega, acompanhado da esposa e munido de um rosto extremamente rude, vai direito procurando por Diego. Nisso, todos, exceto Pedro e Alice, que ficam com Roberta no quarto, vão para o refeitório para conversar... Ou quase isso.
Franco e Leonardo estão agitados e é quase possível de se ver o fogo saindo dos olhos deles. Eva e Sílvia apenas balançam a cabeça, como se dissessem “meu Deus, o que esses meninos fizeram?”... No fim, a angústia de Diego ficava cada vez maior com tudo aquilo.
-Vocês vão me deixar falar? –As palavras rolavam como um tsunami contra ele.
-Você acha que ainda tem algum direito? –Leonardo se agita. –De todos os problemas que me trouxe, esse é o pior deles!
-Como é?
-Vocês nem sabem cuidar de si mesmos! –Franco apoia. –Não tem estrutura, foram irresponsáveis! Eu disse que não deveriam morar juntos, eu já imaginava isso! Eu disse, eu disse! –Vai rodando de um canto a outro.
-Vocês nem terminaram a faculdade... –Eva se lamenta.
-O Diego nem trabalho direito tem! –Leonardo o olha como uma fera. –Não está estudando, não tem casa pra morar. É um inconsequente! Você e aquela sua namoradinha são uns inconsequentes que não pensam em ninguém!
-Olha como fala da minha filha!
-Nós vamos ter que bancar tudo, não percebe Eva?! –Franco continua. –Por que óbvio que esses dois nem sabem os gastos que uma criança tem! Já imaginavam que a gente tomaria conta deles e de mais um!
-Roberta e eu nunca te pedimos nada!
-Olha o respeito, rapaz! –Franco se zanga com Diego, que já está ficando no limite. –Vocês tinham que ter pensado antes de destruir o futuro de vocês!
-Bom, mas eles ainda podem...
-Podem o que, Eva? –O marido está enlouquecendo. –Acabou vida, acabou tudo!
-Nem ao menos é um adulto e se acha homem o suficiente para ser pai! –Leonardo não diminui o tom. –Você não sabe o que é ser pai!
-Você também não sabe! –Diego finalmente não suporta mais e se levanta enfrentando-o.
-O que disse? –Leonardo também se põe a altura. –Ainda acha que pode me encarar?
-Talvez eu não seja um homem perfeito como o senhor, mas eu não dependo mais do seu dinheiro! –Ele põe a cara à tapa, em um misto de orgulho e tristeza. –Talvez eu nunca venha a ver o rosto dessa criança com a qual vocês estão tão incomodados e não precisem se “sacrificar” por ela!
-Como? –Eva se levanta preocupada. –Ela corre riscos?
-Corre. –Diego a fita com firmeza. –De acordo com a médica as chances de sobreviver são quase zero...
Os pais se olham.
-Vocês pensam em tudo, não é? –Diego mira um por um. –Mas não pensaram que é uma vida que tem ali.
-Não é isso. –Franco tenta amenizar as coisas, já com a voz mais mansa. –Só queremos achar uma solução.
-Ah é? Pois juntem todo o dinheiro de todos vocês e tentem mudar o que aconteceu ou que vai acontecer. Façam o tempo voltar pra essa criança nunca existir ou façam com que no futuro ela não morra...
Todos ficam calados vendo-o partir a passos seguros. Suas experiências de vida eram das mais pesadas e notava-se que elas estavam sempre lhe tornando um homem de ideias firmes, caráter e orgulho. Com esta última, deixara definitivamente de ser um garoto.
***
Ao chegar ao quarto, Roberta já está acordada, conversando com Alice e Pedro. Suas caras denunciavam que agora já estavam sabendo da história completa.
-Oi meu amor, que bom que acordou... –Diego vai até ela e lhe dá um beijo. -Tudo bem? Como está se sentindo?
-Bem melhor. –Ela sorri tentando parecer melhor do que realmente poderia estar. -E como foi com os generais?
-Você deve imaginar que eles não ficaram muito felizes com a notícia.
-Deve ter sido uma barra. –Roberta reconhece. –Seu pai foi muito duro com você?
-Digamos que ele não foi muito compreensivo. E o franco também não ficou por trás.
-Ah, o meu pai era de se esperar... –Alice revira os olhos. –E a Eva?
-Ela desmaiou umas duas vezes... Está em estado de choque. Nem consegui dizer como tudo aconteceu.
Os quatro continuam conversando e em poucos minutos Alice já está falando em fazer compras para o sobrinho, que ela já dizia ser sobrinha e a qual encheria de lacinhos.
-Você tá louca se acha que eu vou deixar! –Roberta fez cara feia, mas no fundo estava se divertindo.
Pedro também brinca dizendo que ensinaria “o guri” a andar de skate e que ele já estava eleito o mascote da banda.
O casal já estava esquecendo os problemas quando houve uma interrupção da agradável conversa. Alguns policiais adentraram o hospital à procura de Diego e juntamente com os pais resolveram colocar em pratos limpos toda a história.
-O rapaz confessou ter trocado os remédios da garota por medicamentos de uso controlado que pertenciam a ele?
-Sim, ele confessou. –Diego explica ao policial. -Era uma vingança.
-Os motivos?
-Bullying... –Diego abaixa a cabeça. –Eu não imaginava que uma brincadeira de criança pudesse ter feito tão mal a ele...
O relato de Diego continuou e os pais, que estava presente, ajudaram a descrever lugares e coisas da infância que pudessem ajudar. Eva e Franco tinham contatos e tentariam localizar os pais de Caio. Ficaram no mínimo tocados e com remorso pelas palavras duras ditas antes. Leonardo estava perdido e mesmo que não quisesse confessar, alguns ao redor notaram que seu rosto mudou de figura conforme a história se desenrolava.
-Filho, porque não me disse que não foram culpados...? –Ele segura Diego, quando este estava indo para o corredor, após o interrogatório. –Porque não me disse que tudo foi um grande acidente...?
-Isso não importava. –O filho continua seco. –Eu tinha que entender de uma vez por todas que você nunca estaria do meu lado. Que tirando o seu dinheiro, o senhor não tem mais nada a me oferecer.
-Não...
-Com licença.
Depois de desviar do pai, Diego tenta retornar ao quarto, mas é barrado por Alice e Pedro alguns metros à frente.
-A médica disse que não era pra ninguém entrar. Ela iria examinar a Roberta. –Alice se aflige apertando os anéis nos dedos.
-Faz muito tempo?
-Uns dez minutos. –Pedro olha no relógio. –Vem cara, vamos esperar ali. –E apontou para o sofá. -Não adianta ficar aqui de pé olhando para o corredor.
Mesmo arrastado pelo amigo, Diego passa o tempo todo olhando para a maçaneta prateada da porta que tinha distante dele. Quando ela se mexesse um milímetro que fosse, ele se levantaria como um foguete.



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