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Cap 14 (Faculdade) -Provocante


  A porta recebe murros fortes e o casal se assusta. Parece aqueles filmes em que alguém bate desesperado em sua casa em busca de socorro.
-Quem é? -Ela grita, mas ninguém responde.
 Diego se levanta depressa para abrir assim que o barulho diminui e conseguem pensar. Vai até o olho mágico, mas não vê nada.
-Não tem ninguém. -Ele olha para Roberta.
-Como ninguém?
-Não dá pra ver, olha!
-Eu hein... Vamos abrir de uma vez...
-Deixa que eu abro. -Diego segura o pulso dela e toma a frente, talvez para impedir que corresse algum risco.
-Pedro?

 Assim que ele abre vê o amigo agachado pegando algo no chão.

-Oi. –Ele se levanta. –O que foi?

-Você que bateu?

-Não... Eu acabei de chegar. Eu ia bater, mas achei esse boneco aqui no chão...

-Outro soldadinho? –Ela pega o brinquedo. –Mas quem tá fazendo isso?

-Ah, com certeza é criança...
 Roberta olha para Diego.
-Filho sem mãe né?

-Bom... –Pedro continua na porta. –Eu trouxe algumas coisas...

-Ok, vamos levar lá pra cima.

 Os três vão adiantando a arrumação e em alguns minutos os outros chegam. Eles aprontam o salão completamente até que todos os instrumentos e caixas estivessem em seu devido lugar. A bateria no canto esquerdo, seguido da guitarra, do baixo e dos pedestais onde ficam os microfones das meninas.

-Até que enfim... –Alice põe as mãos na cintura. –Tô toda dolorida.

-Não sei de que! Fez quase nada!

-Ah, não Roberta? Eu limpei tá!

-Limpou muito bem foi o sofá pra sentar!

-E já foi muito... –Ela olha para as unhas.

-Vocês duas não vão brigar, né? –Carla chega no meio. –Já tá tudo pronto, agora é hora de descansar, por favor!

-Ah, Carla, você acha que eu ia brigar? Tenho que poupar minha voz...

-Deveria parar de poupar o cérebro e colocar ele pra funcionar! –Roberta fica mais nervosa.

-Quer saber? Eu vou poupar são meus ouvidos. Fui!

 A patricinha sai e os amigos, aproveitando a deixa, também se despedem, deixando Diego com a ferinha irritada. Eles deixam o salão e retornam ao apartamento e já está bem tarde. Os prédios em volta já estavam todos negros, somente com as luzes das janelas dando sinais de vida.

-Eu já disse que não.

-Eu sei que sim. –Diego fecha a porta.

-Por que isso agora? É não!

-Pra mim é sim...

-Ah, que saco isso. Amanhã eu te provo que é sim e pronto!

-Não... –Ele vem até ela. –Eu não quero mais saber de nada.

 E dizendo isso agarra sua cintura e erguendo seu corpo se joga com ela sobre o sofá beijando seu rosto.

-Diego! –Ela ri. –Eu to toda suja! To fedendo!

 Ele para a olhar para ela.

-Tá nada... Deixa sentir... Tá cheirosa sua boba...

 Diego começa a provocar cócegas nela ao percorrer seu pescoço sentindo seu cheiro.
-Para bobão!

-Bobão... –Ele sorri provocante, agarra as coxas dela e puxa de uma só vez. –Te mostrar o que um bobão faz.

 Ele a aperta, comprime o corpo ao dela, que afunda no sofá enquanto sua boca risonha o recebe em um beijo.

 Diego entra afastando seus lábios e invadindo sua boca. Vai entrando intenso e demorado em cada levada que dá, como a aproveitar mais o gosto e quanto mais a beija mais a aperta. 

-Hm... Que afobado você tá hoje...
-Eu to é com muita vontade de você...
 Os olhos dele nela, podem se comparar com os de um caçador na presa capturada, ou com os de um escultor em sua obra recém-terminada. Uma fusão da vontade de consumi-la com a vontade de eternizá-la com todo cuidado nas mãos.
-Diegooo... Eu quero tomar banho...
-Quer?
-E...
-Que foi?
-Quando você me olha desse jeito... -Ela se levanta apoiada nos cotovelos...
-De que jeito?
-Desse! Agora deixa eu tomar banho.
-Quer ajuda? -Ele segura sua mão ainda sentado quando ela se levanta.
 Roberta olha pelo canto do olho e sorri, mas chamam na porta.
-Acho que eu já disse isso, mas é conspiração né? -Ela suspira de raiva e Diego vai atender.
-Ninguém merece... Pedro?
-Oi... -O rapaz fica meio sem jeito.
-Será que eu podia passar a noite aqui?
 Diego se assusta e olha para Roberta logo atrás. Outra vez o sofá estaria sendo arrumado para um amigo inconveniente.
-Como? Perdeu o emprego?
-É... -Pedro ajeita o lençol no sofá. -Eu disse pra minha mãe e pro Raul que iria viajar.
-Como viajar cara? -Diego não entende.
-Eles não sabem que no meu emprego eu passo por perrengues, que vivo cheio de graxa e terra. Eu sempre passo no posto onde um colega me deixa tomar banho e trocar de roupa. Chego em casa limpo e eles acham que trabalho em um escritório.
-E porque isso? 
-Vergonha. -Roberta chega e lhe entrega um travesseiro. -Ele tem vergonha.
 O amigo fica calado, evidenciando a fala dela.
-Não devia ter vergonha do seu trabalho, tem gente que nem trabalha e não sente.
-Eu sei... Mas eu perdi tudo que tinha, investi o dinheiro que ganhei na viagem de férias pro Chile. Já que o que tinha ganhado no cassino não era tão limpo assim, resolvi que não iria gastar comigo, mas agora tá fazendo falta. Só que perdi o emprego e não tive cara pra chegar em casa, disse que iria viajar com meu patrão e que voltava amanhã. Mas já me indicaram um novo trabalho, vou ver se consigo.
-Tenho ódio de mentira. -Roberta volta para o quarto para procurar um cobertor.
-Ela ficou brava por eu ter vindo.
-Nada. Ela é assim mesmo. Agora se ajeita aí.
-Você já vai dormir? -Pedro se senta.
-Não sei... Quantas horas?
-Dez. Tá passando um 'jogaço" na tv.
-Sério? -Diego olha para o corredor e vê Roberta que não retorna. -Ah... Só uma olhada.
 Eles ligam no canal e fixam o olhar na telinha quando percebem que está mesmo muito bom o futebol.
 Roberta que estava arrumando a cama ouve um grito e ao retornar à sala vê Diego e Pedro fixos no jogo.
-Ah, cara, que mancada!
-É uma anta! -O namorado fala alto e o amigo também.
-Diego?
-Que? -Ele responde sem olhar para ela.
-Que tão fazendo?
-Vendo o jogo. -Pedro responde também sem olhar para ela.
-Quer alguma coisa?
-Não, é que...
-Que bom. -Diego a corta antes que pudesse dizer.
 Roberta põe a mão na cintura se vendo ignorada.
-Então tá... Vou TOMAR BANHO! -Ela aumenta o tom de voz e lhe dá as costas.
-Roberta! -Pedro a chama e finalmente a olha.
-Vocês tem dois banheiros né? 
-Do quarto e do corredor, porque?
-É que no intervalo eu queria tomar um banho, pode ser?
-Não só pode, como deve! Garoto fedido no meu sofá não né? -Ela vira de costas.
-Ei... -Diego também a chama. -Tem algo pra comer?
-Acho que tem uns sacos de salgadinho...
-Trás pra gente. -Diego volta a olhar para a tv.
-Hm... Tenho cara de Amélia, é?
 Diego não responde.
-Diego? -Ela o chama, mas o rapaz nem pisca. -Tem gente que não mede o perigo.
 O olhar raivoso fumegava na desatenção masculina.
 A ciência mesmo diz que o homem não consegue se concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Se soubesse a natureza o prejuízo que lhe daria, teria feito de outra maneira. Pouparia que pobres vasos fossem quebrados nas cabeças dos homens, assim como  pouparia uns galhos nascendo fora de árvores e muitas brigas. -Que são o mínimo do mínimo que pode acontecer.
 Roberta apesar de ficar uma fera, ainda pega os pacotes e joga no sofá, mas os dois nem percebem a atitude estressada. Volta para o quarto e arruma as coisas para o banho enquanto pensa. Ainda mexe alguns minutos no netbook antes de ouvir passos. Com certeza deve ser Pedro indo tomar banho, já que tinha ficado ali algum tempo. Logo lhe vem uma ideia.
 O sorriso no rosto e um pulo da cama. Em instantes a menina chega na sala somente de roupas íntimas e uma toalha em mãos. O namorado está sozinho e o jogo está recomeçando.
-Pedro! Começou! -Ele grita.
 Roberta assovia até chegar perto da tv. Há uma prateleira pequena onde escondem uma chave reserva e ela ergue a mão para guardar.
 Seria impossível que Diego não reparasse e ao vê-la daquele jeito, não levasse um susto. A lingerie que usa é uma das preferidas dele. A cor azul piscina sempre mexe com os nervos dele.
-Tá louca?
-Que? -Ela vira de frente.
-Você tá.... -Ele tenta, mas as palavras quase não saem. -O Pedro tá aqui.
-Onde? -Ela finge procurar. -Ficou invisível agora?
-Ele tá quase saindo do banho!
-E que é que tem?... -Ela faz cara de paisagem.
-Que tem? Você tá de calcinha e sutiã.
-E daí? Todos já me viram de biquíni na praia... Na piscina... 
-É diferente. -Ele emburra.
-Onde? É pano! 
-Ao menos enrola a toalha.
-Não! -Ela dá a volta nele.
-Onde vai?
-Tomar um suco na cozinha. Pode ver o futebol... -Ela segue a frente, andando provocante. Ah... E logo eu vou estar sem nada disso, não se preocupe...
-Como?
 Ela segue para a cozinha sem lhe dar resposta e vai ainda assoviando até abrir a geladeira e percebe que o namorado senta no sofá olhando para ela e para o futebol.
Roberta enche um copo de suco de uva e se debruça sobre o balcão de modo que o decote fica mais evidente.
-Que foi? -Ela olha para Diego rindo.
-Na... Nada... -Ele sobe os olhos e vê o sorriso dela de quem sabe bem para onde ele olhava.
 Roberta vai até a janela e finge ajeitar o elástico da calcinha sem pressa alguma e logo olha as costas no reflexo, sabendo que Diego a está olhando sem ao menos piscar.
-Roberta...
-Não se preocupe, to indo, vou tomar meu banho... Bem quente!
-Eu também vou. -O namorado se levanta e ela barra apontando o dedo para o sofá.
-Não, não... Senta e continua fazendo sala pro Pedro, afinal o futebol ainda não acabou e...
-Eu não me importo...
-Sério? Olha lá, vai sair um gol!
 Diego retorna o olhar para a tv.

Comentários

  1. mistéeerio dos bonequinhos! hahaha sepa que é o otto! naao, acho q nao...

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  2. super curiosa de quem serão os soldadinhos???
    amei a cena da Roberta na sala provocando o Diego, só de ficar imaginando me diverti mt
    posta mais por favor

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  3. ALINE VC VAI POSTRA O CAP.15 HJ?

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  4. Me acabando de rir com a esperteza da Roberta....
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


    Darly

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