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Cap 80- A surra

-Sério? –Pedro questiona o amigo. –Você vai ficar contra a Roberta?
-Eu não quero mais brigas entre meu pai e eu. Já disse isso pra ela e ela vai ter que aceitar.
-Ou?
-Ou o que?
-Você sabe que ela é cabeça dura, querendo ou não ela já comprou essa briga. E se ela disser pra você escolher?
-A Roberta nunca faria isso.
-Certeza.
-Sim. Ela sabe que somos diferentes e que pensamos diferentes.
-Mas diferenças causam guerras meu bebê... –Pedro recosta na cama com tom de sarcasmo. –Mas a gente acabou mudando de assunto, você tava falando do flagra lá.
-Eu já disse que não vou te contar. –Diego foge.
-Hum... –O olhar morteiro denuncia um pensamento maldoso sobre o que poderia ser.
-‘‘Hum’’ o que? A gente tava se beijando no quarto dela e alguém entrou, foi isso.
-Só isso?
-Bem... –Diego reconhece. –Digamos que ela não estava muito bem vestida.

 Pedro arregala os olhos.
-Cê é doido moleque?
-Doido por ela. –E o namorado finalmente sorri.
-Toma cuidado, que se os monitores ou o chefão ficam sabendo disso, vocês dois são expulsos.
-É... –Ele percebe o perigo. –Eu exagerei, mas ela tava tão linda... Por sua culpa a gente não aproveitou o sábado como eu queria...
-Por minha culpa? –Pedro não compreende.
-Claro. A gente tava no lugar perfeito, o clima perfeito, ninguém por perto... Só eu e os beijinhos da Roberta... Daí você chega e a gente tem que largar tudo pra te ver, seu mala!
-Ah, mas eu também merecia uns beijinhos né? –Pedro zoa. –Sei que você ficou louco pra me encontrar!
-To fora!
E a conversa dos dois flui em tom cômico no dormitório masculino, enquanto que no feminino outra se iniciaria em muitos tons.
 Roberta acaba de se arrumar e se prepara para ler um livro deitada na cama quando batem na porta. Ela abre e estranha.
-Alice? Porque você bateu na porta? Você ainda dorme aqui, sabia?
 A menina com um rosto que oscila entre a ironia e o espanto, entra antes de responder.
-Eu precisava saber se era seguro né?
-Então foi você que...?
-Foi. –Ela senta na cama de frente à Roberta.
-E porque você foi embora? O Diego saiu feito um louco atrás de quem quer que fosse que tivesse visto!
-Ah, e você acha que pegar vocês dois daquele jeito nesse, que também é meu quarto, me deixou muito confortável pra conversar, né?
-É... Isso é verdade. –Roberta não se aguenta.
-Não ri não! Eu abri a porta e levei o maior susto tá?
-Ah, deixa de ser exagerada...
-Vocês não?...
-Claro que não! Tá louca? A gente não iria fazer isso aqui... Quer dizer eu acho que não...
-Roberta!!
-To brincando! A gente tem juízo tá?
-Tem? Então usem de vez em quando, imagina se fosse outra pessoa que entrasse? Imagina se fosse um dos meninos ou até os monitores?
-Estaríamos muito ferrados...
-E você continua rindo mesmo assim?
-Ah... Eu adoro um perigo... Além do mais foi muito bom... –Roberta aumenta o sorriso no rosto.
-Vocês são loucos...
-Foi uma loucura quando ele me arrancou a toalha.
-Ele te arrancou a toalha? –Alice firma o olhar na amiga.
-Foi... –Ela sai do ar.
-Roberta, o Diego é doido?
-Claro que não! Quer dizer... Ficou um pouco hoje...
-Convivência, só pode!
-Hã... E desde quando eu sou má influência?
-Desde sempre, né?
-Ha, ha, ha! –Roberta se levanta.
-Aonde você vai?
-Vou falar com o Diego que foi você que pegou a gente, ele deve tá procurando até agora quem foi.
-Agora a gente tem educação física, esqueceu?
-Verdade... –Ela se chateia ao lembrar. –Vou mandar uma mensagem pra gente se encontrar no quarto 16.
-Pra continuar de onde eu interrompi?
-Alice!
-Ué, só perguntei... –E a patricinha sai rindo e erguendo as mãos.
As brincadeiras são, quase sempre, honestas à amizade, demonstram que sim, irritar quem a gente quer bem é contraditório, mas é um bom sinal. Não nos daríamos o trabalho de irritar quem não tem pra gente, algum grau de importância. O verdadeiro ataque está na indiferença.

 Roberta falta à aula de educação física que seria no campo de futebol para esperar o namorado no quarto 16. Ao chegar à porta, ela escuta um barulho, como se algo pesado tivesse caído no chão. Fantasmas? Não, com certeza esses que há tempos os estavam vigiando eram de carne e osso e disso a menina não tinha medo. Os olhos sempre sagazes e desconfiados tentam em volta, ver algo suspeito, mas não encontra à primeira vista. Assim que abre a porta algo inesperado a faz desmaiar.

 Na piscina os garotos estão tendo aula de natação. Preparam-se para entrar, deixando as mochilas sobre o banco. Os monitores passam por perto, observando tudo.
-Não vai entrar, Diego? –Pablo para ao lado dele.
-Não posso. Ordens médicas.
-Tem o atestado?
-Claro, meu pai já trouxe. Estou aqui para assinar a chamada.
 E assim que o professor chama a turma, Diego deixa Pablo no banco e vai ao encontro dos outros, se misturando na bagunça que sempre era assinar a bendita lista de presença.
 O monitor percebe um toque sutil no celular de Diego, vazando no bolso lateral da mochila.
 “Mensagem Roberta”
 Ao pegar o telefone e ler o nome dela, não se conteve em ler também o conteúdo, sem se preocupar se Diego estaria vendo ou não.
 Pablo não pensa duas vezes e vai até o local do encontro, antes disso, é claro, apaga a mensagem para que Diego não veja.
 O monitor caminha depressa pelo gramado até a porta do quarto 16 nos fundos do colégio.
-Roberta! –Ele bate entrando em seguida.
 O susto que tem ao vê-la caída, o faz ter até medo de tocar na garota. Roberta está inerte no chão, sem mover um músculo, com as mãos e pernas soltas, como se estivesse morta.
 Ele se abaixa e a chama, mas não adianta, tenta ouvir seu coração e ver se respira. Aparente havia sido somente um desmaio, mas a causa ainda ninguém devia saber. O fato é que em sua testa um vermelhão está formado e talvez tivesse tomado alguma pancada. Mas de quem?
 Ele a levanta nos braços e coloca sobre a cama de solteiro que há no lugar, perto da pequena janela de vidro.
-Roberta! –Ele tenta despertá-la em vão ainda por alguns segundos antes de pensar no proveito que poderia tirar disso.
 A expressão de seu rosto muda e logo nem está mais preocupado, parece mesmo que está satisfeito de ter Roberta indefesa em suas mãos, sem que pudesse rejeitá-lo.
-Como você é linda... –Ele olha o seguimento do seu corpo. –Eu não sou muito de falar, mas queria ter te dito no cruzeiro o quanto você mexeu comigo. Mas sou tímido e como fazer pra você perceber que aquele seu namorado não é bom o suficiente pra você?
 Roberta continua sem se mover e Pablo não se mostra preocupado com a saúde dela, nem ao menos se preocupa se vai acordar. Está fascinado em poder estar ali com ela, sem ninguém ver, só os dois. E continua falando.
-Aquele dia eu ia dizer pra você o que eu sinto, mas acho que não vou te dizer nunca. –Ele sorri com um carinho medonho enquanto se deita ao lado dela e alisa seu braço. –Eu te olhava na piscina no cruzeiro e quando você passava por mim... Nossa, eu tinha tantos pensamentos, não muito puros, vou ser sincero... Pensava em como aquele otário tinha essa garota uma garota como você. Eu é que queria usufruir desse corpinho...
 E Pablo começa a querer se aproveitar de verdade, sem nenhum respeito pela falta de defesa dela. Leva a mão ao joelho de Roberta com a pretensão de subir mais enquanto aproxima um beijo de sua boca.
 A rebelde começa a despertar nesses segundos em que ele age e vê somente um vulto, tudo parece sonho, ou pesadelo no caso. Ainda está tonta e perdida, mas é rapidamente despertada pela voz de Diego.
-Roberta? –A voz e os olhos do namorado estão incrédulos.
 A garota que ama está bem à sua frente, deitada com Pablo, que fazia carícias nos braços que Diego vê como deles, nas pernas que só ele tocava e naquela boca, que não conseguia imaginar beijada por nenhuma outra que não fosse a sua.
-Hã? –Roberta não consegue se localizar, não entende o que está acontecendo.
 Pablo pula da cama enquanto ela tenta se sentar com alguma dificuldade.
 Assim que o monitor se aproxima de Diego com um simples “Olha...” para explicar a situação, é recebido por um soco que o joga no piso.
-Desgraçado! –Diego cerra os pulsos e trinca os dentes de tamanha que é a raiva que o consome.
-Você não tem respeito pela namorada dos outros, é? –E volta para cima dele, agarrando a gola de sua camisa. –Eu vou te mostrar como respeitar, então!
 E mesmo que Pablo tivesse talvez, a mesma força que Diego, ele não tinha a mesma raiva, nem o ciúme em um nível tão elevado quanto o dele. Apanha de uma forma nunca imaginada em sua vida. É deixado no chão com sangue fugindo pela boca e pelo nariz, os olhos com certeza ficariam roxos e o corpo todo doía.


<<Cap 79         Cap 81>>

Comentários

  1. Alineee...n faz a Roberta e o Diego terminarem... ai n vai ter graça:) eles são mt fofos juntos, a gente n vai aguentar ver eles separados...ainda hj vc posta o 81?
    Primeira a comentar:)

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  2. Dale Diego!!! esse Pablo ta merecendo isso desde o cruzeiro....
    AMEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
    Darly

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  3. Faz com q o Diego acredite na Roberta pffffffff, que horas vc posta o 81?

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  4. ahhhhhhhhhhh não faz o diego terminar com a roberta pffff.

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  5. eiiiiiii posta rapido o cap 81 minha madrasta que dormir baby!!

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  6. ou PLISE NAO DEIXA O DIEGO TERMINAR COM A ROBERTAAA por que si nao vai perder o foco

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  7. Quando vc vai postar o cap.81???To SUUPEEERRRR CURIOOOSAAAA

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  8. ei aline tira esse pablo porque com ele ñ tem grasa e ñ faz a roberta e o diego terminarem se ñ ,ñ vai ter graça mesmo.

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  9. Posta o cap.81,agorinha tenho que dormir...

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  10. AMEIII O CAPITULO VOU RELER E RELER E RELER!!!

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