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Cap 73- A presença invisível


 Roberta chega à sala de estar, logo após o almoço, à procura do namorado. Sem se lembrar de que Carla estava chateada, ela vai até ela.
-Você viu o Diego?
-Não. -A menina não tira os olhos da revista ao responder.
-Ah, ele tá me mandando uma mensagem... Ele saiu com o pai... –Roberta lê sem perceber que Carla não lhe dá atenção. –Eu vou ficar o dia todo sem ver ele...
 Ao notar que a amiga não está respondendo, Roberta se toca.
-Ei!
-Que foi? Eu to querendo ler, sabia? –Carla é grossa.
-Carla, eu sei que eu esqueci da competição, algo importante pra você, mas a gente tava num clima tenso aqui e você podia ter lembrado a gente!
-Ah, então eu sou a culpada?... –Ela se vira para Roberta que está de pé à sua frente.
-Não! Só não acho que dar as costas aos amigos por causa de um erro seja a melhor solução pra essa raiva que você tá sentindo por não ter ganho a competição.
-Vai me jogar na cara que eu perdi? Muito amiga você!
-A única coisa que eu to jogando na sua cara é a minha amizade! Eu sou sua amiga e mesmo que você esteja com raiva de mim eu ainda sou, assim como os outros. Então, quando precisar de mim eu vou tá com você. Mesmo que você não queira, tá ouvindo?
 O olhar e as palavras duras de Roberta tem ironicamente a doçura da amizade verdadeira, que não tá nem aí para que cara o outro esteja fazendo, o negócio é não abandonar um amigo em nenhuma hipótese.
 Carla não tem como negar isso, nem pode continuar mantendo a marra com Roberta, que era a rainha da marra. Com ela essas coisas não funcionam.
-Valeu...
-Pelo que? –Roberta põe a mão na cintura e se faz de desentendida.
-Por ser minha amiga desse jeito...
-Que jeito.
-Uma amizade que não “quebra”!
-Nossa amizade é de diamante, não é de vidro. Sacou a diferença? –Ela ri.
 Após um sorriso amistoso, Roberta enfim sede a um pouco mais de delicadeza e se doa ao abraço de Carla.
 Ambas sabem que são diferentes, mas que os amigos são assim mesmo e que isso é o que nos faz crescer com eles ou regredir... Sim, porque nem toda amizade é boa... Mas essa é.

  Um pouco longe dali, no hospital onde havia sido atendido, Diego entra juntamente com Sílvia e Leonardo no consultório, para que o médico diga o que os exames haviam acusado e se haviam acusado.
 O doutor com seu jaleco branco e seus cabelos grisalhos olha-os sobre os óculos com um jeito rabugento enquanto tapa com a papelada de exames o rosto largo.
-É, meu jovem, dias difíceis virão...
-Como assim? –Leonardo se espanta ao ver a fala do médico com Diego. –O que os exames dizem?
-Calma, eu vou explicar tudo, agora o seu filho terá de me ouvir assim como o senhor e sua esposa.
 O médico prende a atenção deles enquanto explica minimamente o que significava cada vírgula dos exames de Diego. Os olhares de espanto e de curiosidade se misturam entre os três, assim como a ansiedade de se livrar de tudo aquilo. Era uma necessidade básica de colocar a vida no seu curso certo. Adoecer nunca é normal para os seres humanos, pois estes sempre se esquecem de que a vida, nesta máquina incrível que chamamos de corpo, não é blindada, pelo contrário, é extremamente frágil.

 No colégio, a sexta-feira vai angustiando Roberta, que apesar de não querer demonstrar, não consegue evitar nos olhos e no mexer das mãos, que está preocupada. E a sala de estar parece ficar pequena para seus pensamentos, as vozes dos amigos que conversam no sofá e do filme que as meninas assistem na tv parecem ficar cada vez mais altos entrando em sua cabeça de forma insuportável.
 Ela se levanta, todos estão distraídos mesmo e mesmo que não, ela não se importaria. Resolve ir até o jardim, aproveitar o sol e o ar puro que ao seu redor soava a silêncio. Ela precisava ficar sozinha e ao mesmo tempo não queria ficar, mas só havia uma companhia que ela realmente queria. Roberta não sabe o que Diego estava fazendo, mas por ser sagaz, desconfiou desde que recebeu a mensagem pela manhã. Para que mais o pai o buscaria se não fosse para falar dos exames?
-Ei!
 Carla freia o passo bruscamente ao ouvir a voz de Roberta.
-Ai, que susto! –Ela segura uma sacola nas mãos que tenta esconder nas costas.
-Que isso?
-Isso, o que?
-Carla... –Roberta não acredita que está sendo subestimada desse jeito. –To falando dessa sacola aí, cheia de comida que você tá tentando esconder atrás de você!
-Ah, isso? Eu não tava escondendo não, imagina... –Ela traz a sacola a frente, se fazendo de boba. –É que me deu fome...
-Ah, tá... –Roberta não crê. –Fome de tudo isso?
-É...
-Carla, você não vai comer depois...?
-Não, claro que não! –Ela é rápida em afirmar. –A bulimia está controlada, eu não provoco mais vômito, eu sei que posso até morrer... Eu estou me alimentando direito, isso é pra mim e pro Tomás, ele tá me esperando no quarto 16.
-Você vai pra lá agora?
-Vou, por quê?
-Por nada... –Ela cruza os braços um pouco distante.
-Você ia pra lá?
-Não.
-Bom... Então, eu já vou... –Carla faz um sorriso temeroso e vai embora.
 Roberta fica muito desconfiada do que ela realmente estaria fazendo, mas não a segue, nem ao menos impede que vá. No entanto ao fazer a volta para retornar ao colégio, depois de uns quinze minutos pelo jardim, ela vê Tomás conversando com alguns alunos da sua turma perto da piscina e estranha.
-Ué, veio voando?
-Tá falando de que? –Tomás pergunta estranhando.
-Você não tava...? –Ela compreende. -A Carla mentiu!
-Mentiu sobre o que? –Tomás tenta impedir que ela vá sem lhe dizer. -Roberta!
 A menina retoma o caminho até o quarto 16 enquanto Tomás fica sem compreender nada, vendo-a sair de sua frente feito um raio. Nem havia se lembrado de que ele, sendo o namorado, deveria saber, mas está preocupada com o que Carla pudesse estar fazendo e como isso prejudicaria sua saúde.
 Ao chegar à porta do quarto, ela já vai “invadindo” sem pensar em nada. A visão que tem assim que entra é de um assombro vazio, um jeito de que parece ter alguém ali, mas que não é Carla.
 O medo não é sentido por Roberta que vai vasculhando o lugar chamando pela amiga.
-Carla? –ela ouve um barulho no fundo do quarto, parecendo vir de um banheiro que ficava do lado esquerdo, meio escondido atrás do velho guarda-roupa.
 Roberta caminha quando ouve a porta bater.
-Ei!! –Ela corre até lá e percebe que a porta não abre mais.
 O pânico começa a tomar conta dela, afinal o quarto era afastado de tudo, não havia como alguém ouvir sua voz. E afinal, quem havia fechado a porta?
 A rebelde força a porta, mas nada de conseguir abrir. Olha para as paredes escurecidas do lugar, seu piso grosseiro e a janela de vidro amarelo por onde só se viam galhos das árvores que de tão grudadas, nem a permitiam abrir mais. A cabeceira da cama no lado esquerdo fica ao lado dela e o espaço restante é preenchido por caixas e velharias como um ventilador quebrado, um quadro negro do qual nem se usa mais e uma porção de outras coisas julgadas inúteis.
-Não se assuste...
 Roberta se vira e alguém faz seu coração se acelerar como nunca havia sentido na vida.
-Você?
-Roberta, eu queria ter esse momento a sós com você... –Ele dá um passo em sua direção. –Eu nem sei como explicar o que sinto de estar só você e eu.
-Você e eu? Tá louco? –Ela dá um passo para trás com as mãos procurando um apoio quando a porta finalmente abre.
-Roberta? Pablo? –Tomás olha para um e depois para outro. –Que vocês fazem aqui?
-Esse...
-A Roberta me trouxe para checar o lugar, a gente achou que a Carla estivesse aqui. –Pablo dá um jeito de disfarçar.
-Mentiroso! –Roberta não se intimida. –Eu não te chamei coisa nenhuma, você tava escondido aqui dentro e veio com papo estranho pra cima de mim!
-Como é que é? –Tomás toma as dores. –Você deu em cima dela?
-Achei que sua namorada fosse a Carla.
-Mas a Roberta é minha amiga e namorada do meu amigo, então fica longe dela!

 Tomás e Roberta saem, deixando Pablo quieto no quarto 16 que continuava parecendo ter mais alguém além de Pablo.
 O dia longo passa, assim como a noite, mas nada é dito. O silêncio era uma tática para manter as coisas sobre controle, até que soubessem o que estava, de fato, acontecendo.
 Logo que chega em sua casa, no tão esperado sábado, Roberta troca mensagens com Diego pelo celular na sala de estar deserta.
“Quero te ver.” –Ela lê.
“Agora! Você vem aqui ou eu vou aí?”
“Eu quero te ver em outro lugar... Tenho que te dizer algumas coisas. Saudade da gente já.”
“Eu também.” –Roberta sorri sozinha enquanto digita. –Então onde?”
“Tem um lugar... O endereço é...”


<<Cap 72      Cap 74>>

Comentários

  1. Ai Aline, o cap tá perfeito... posta logo por favor!!! bjksss (Scheila)

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  2. Adorei, to louca pra ler o 74

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  3. aaaaaah não acredito Aline tava louca pra ver a conversa de roberta e diego,posta logo o outro capitulo por favor flo .

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  4. amei esse,capítulo estar muito lindo estou anciosa pra ler o capítulo 74

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  5. Aline to maluquinha aquiiiiiii, vc vai postar hj?

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  6. aline posta logo o 74 quer me matar de curiosidade leio o seu blog desde o 1 capitulo li tudinhoooo

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  7. alineeeeeeeeeee posta o 74 logo por favor!!!vc ja esta terminando de escrevê-lo??

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  8. posta o 74 logo estou muito anciosa por favor!!!!!!!!!!!!!!

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  9. Alineeee eu preciso da continuação disso plmdds! KKKKKKKKKKK

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  10. POSTA LOGO O 74, POR FAVOR !!!

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  11. meu deus ta lindo perfeito!!!!!!! posta mais!!!

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